Atingidos da usina de Manso são cadastrados

Fonte: Gazeta de Cuiabá 20/05/03

Usina de Manso. Foto:Divulgação

Depois de praticamente cinco anos de negociação, o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) começou a cadastrar as cerca de 1.062 famílias prejudicadas pela construção da barragem do lago da Usina Hidrelétrica de Manso. Segundo um dos integrantes do MAB, Carlos Nogueira, ficou acertado com os diretores de Furnas, estatal com sede no Rio de Janeiro, que agora as 480 famílias que tinham recebido terras improdutivas serão reassentadas.

O cadastramento na sede da Empaer, do Distrito de João Carro, encerra no dia 21 de maio. Nos dias 22 e 23 de maio, os interessados devem procurar o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Chapada dos Guimarães.

Pesca e horta são prejudicados
A preocupação com a construção da Usina Hidrelétrica de Manso e o represamento de água que ela iria ocasionar já tirava o sono dos moradores da localidade mesmo antes do primeiro fechamento das comportas, em novembro de 1999. "Sabíamos que parte das terras ficariam submersas e que quem dependia da pesca e das atividades do entorno também seriam prejudicados", disse Carlos Nogueira.

Segundo ele, as reuniões entre os moradores vinham sendo realizadas muito antes da ativação da Usina. As negociações com os diretores de Furnas estavam tranqüilas até que o plano de assentamento realmente teve início. "Fomos surpreendidos com a má qualidade das propriedades".

Acostumados com a agricultura de subsistência, as famílias se depararam com um grave problema. Noventa por cento das terras do entorno do lago de Manso, local cedido para os cerca de 480 desabrigados, têm solo arenoso e inapropriado para o plantio. A condição de miséria, desde então, vêm obrigando muitas dessas pessoas a pedir ajudar em municípios vizinhos, como Cuiabá e Várzea Grande.

Depois do cadastramento, os diretores de Furnas vão analisar quais os locais prováveis de reassentamento. Também devem definir a situação do restante dos atingidos. Até o desfecho da história, Nogueira garante que os integrante do MAB continuarão acampados na comunidade Barra dos Arraias, 2 Km após a Usina, como uma forma de "pressão moral".