Hidrelétricas no rio Xingu

Rio Xingu / DivulgaçãoO rio Xingu nasce a oeste da Serra do Roncador e ao norte da Serra Azul, no leste do Mato Grosso. Corre na direção sul-norte, paralelo aos rios Tapajós e Tocantins, e após percorrer pouco mais de 2 mil quilômetros, deságua ao sul da Ilha de Gurupá (PA), na margem direita do Amazonas, do qual é um dos maiores afluentes.

Segundo os estudos elaborados pela Eletronorte entre 1975 e 1980, a Bacia Hidrográfica do Xingu, que se estende por 450 mil km2, tem um potencial hidrelétrico de 22 mil megawatts, um dos maiores do país. A Volta Grande do Xingu, uma queda de 96 metros onde o rio quadruplica de largura e forma diversas cachoeiras e ilhas, concentra boa parte do potencial hidrelétrico do rio sendo por isso o local escolhido para a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Hidrelétrica de Belo Monte

A Hidrelétrica de Belo Monte é um dos sete barramentos previstos no projeto elaborado na década de 1980, pela Eletronorte para o rio Xingu. Com potência de 11.182 megawatts (MW),  terá um reservatório de 400 km2 – projetado inicialmente para 1.200 km2 mas vetado pelos estudos de impacto ambiental e pela pressão das comunidades indígenas, tradicionais e organizações ambientalistas da região. Voltada principalmente ao abastecimento do Sudeste e Nordeste, Belo Monte representaria hoje um aumento de quase 20% da capacidade instalada do país.

Entre os impactos socioambientais gerados pela construção da usina estão a inundação constante, hoje sazonal, dos igarapés Altamira e Ambé, que cortam a cidade de Altamira, e parte da área rural de Vitória do Xingu. Redução da vazão da água a jusante do barramento do rio na Volta Grande do Xingu e interrupção do transporte fluvial até o Rio Bacajá, único acesso para comunidades ribeirinhas e indígenas. Remanejamento de cerca de duas mil famílias que vivem hoje em condições precárias na periferia de Altamira, de 800 famílias da área rural de Vitória do Xingu e de 400 famílias ribeirinhas, e alteração do regime do rio sobre os meios biótico e socioeconômico, com redução do fluxo da água.

Embora o remanejamento da população atingida por Belo Monte tenha sido contemplado em documentos da Eletronorte, o Movimento pelo Desenvolvimento do Xingu e Transamazônica (MDTX) não acredita que as famílias que vivem hoje na área a ser alagada em Altamira serão indenizadas, pois não possuem título de posse de terra. De acordo com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), existem hoje cerca de 1 milhão de pessoas desalojadas no Brasil em consequência da construção de barragens, sendo que 70% delas perderam absolutamente tudo e que mais de 34 mil km2 foram inundados para a formação de reservatórios.

Fonte: Instituto Socioambiental.