BR 319

Inaugurada pelo regime militar brasileiro em 1976, a BR-319 liga Manaus, no Amazonas, à Porto Velho, em Rondônia. Construída as pressas pelo governo entre os anos de 1968 e 1973, em poucos anos a rodovia se tornou intransponível pela falta de manutenção, desacelerando os processos de ocupação e desmatamento em seu entorno.

Em 1996, o então presidente Fernando Henrique Cardoso incluiu a recuperação da rodovia no seu plano estratégico Brasil em Ação, mas o projeto nunca saiu do papel.

Entre os anos de 2008 e 2009 o Governo Federal iniciou as obras de recuperação de trechos da rodovia, com um valor de R$ 697 milhões. As obras estavam amparadas pelo Estudo de Impacto Ambiental (EIA) elaborado pela Universidade Federal de Manaus – UFAM, finalizado no início de 2009. Porém, estudos independentes, como o realizado pela ONG Conservação Estratégica (Fleck, 2009) revelam que o projeto de revitalização da obra é economicamente inviável, podendo gerar prejuízos de 300 milhões de reais para a sociedade brasileira, além das perdas ambientais de cerca de 1,9 bilhões de reais nos próximos 25 anos.

As obras estão suspensas por determinação do Ministério do Meio Ambiente, baseado nos estudos de impactos realizado pelo Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).  De acordo com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirma que a licença para as obras só será liberada quando realmente forem cumpridas as condições ambientais exigidas.

Entre os pré-requisitos estabelecidos para a efetivação da obra (em um trecho de 400 quilômetros da estrada), que incluem a implantação de 28 unidades de conservação, sendo 11 unidades federais e 17 estaduais (nove no Amazonas e oito em Rondônia) em cerca de 10 milhões de hectares.

Exigir o cumprimento integral dos pré-requisitos para esta obra significa garantir que problemas ambientais futuros aconteçam na região mais preservada da floresta Amazônica.