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16/10/2007

Transporte no Rio Paraguai cai em 50%

Correio do Estado 16/10/2007

O movimento de cargas pela Hidrovia do Paraguai caiu próximo de 50% em outubro e o transporte pode ser paralisado caso o nível do Rio Paraguai não se estabilize. As barcaças estão com cargas para 6,5 pés (1,95 metro) e abaixo de 6 pés torna-se inviável economicamente para as empresas operadoras, além dos riscos de acidentes.

A argentina Fluviomar (ex-Cinco Bacia), em Ladário, deve encerrar o mês com queda de 50% em volume de cargas, que em setembro foi de 200 mil toneladas de minério, soja e farelo de soja. "Estamos operando no limite", afirma o diretor Luís Alberto Assy. "Abaixo de 6,5 pés o prejuízo é ainda maior, pois o frete torna-se impraticável."

A redução do nível do Rio Paraguai provocou queda de 20% das exportações da Mineração Corumbaense Reunida (MCR), empresa mantida pela Rio Tinto em Corumbá. Os comboios estão chegando ao porto de San Nicolas, no Uruguai, na entrada do Atlântico, com carga reduzida de seis a oito barcaças, o que equivale a oito mil toneladas de minério.

As chuvas que atingem a região desde a semana passada, na avaliação da empresa, alteraram o ritmo de queda e podem contribuir para alívio da estiagem dentro de 20 dias, conforme previsão também da Capitania Fluvial do Pantanal, com sede nesta cidade. Em quanto isso não ocorre, a MCR garante que seguirá as orientações da Marinha para uma navegação com segurança.

Pontos críticos
Em dez dias, o nível do Rio Paraguai em Ladário caiu 17 centímetros, apesar do fim da estiagem, que se prolongou por mais de 120 dias. O rio, nesta régua, apresentou estabilidade entre sábado e ontem, mantendo-se em 1,42 metro. Em Cáceres (MT), alto Pantanal, o período de chuvas começou e o rio subiu 16 centímetros entre os dias 5 e 14.

A maior dificuldade de navegação ocorre em águas paraguaias, segundo os operadores brasileiros. São pelo menos dez trechos críticos por causa da presença de sedimentos no leito do rio. As barcaças estão ainda trafegando com sete pés (2,10 metros) no lado brasileiro, contudo não navegam nesse calado no Paraguai.

Minério estocado
Os operadores alegam que o vizinho país não vem realizando a dragagem de manutenção do leito do rio, como sempre ocorre nesse período de seca. Um dos pontos de estrangulamento é o Remanso Castelo, trecho que define o calado dos comboios em águas brasileiras. Desobedecer a esta restrição é acidente eminente. "As empresas estão restringindo suas operações conforme as condições do rio", disse o capitão-de-fragata Ângelo César Silva Maranho, comandante da Capitania Fluvial do Pantanal.

Na semana passada, ele se reuniu com os operadores e num consenso definiram que o calado seria reduzido a cada 15 centímetros negativos do nível do rio. A MCR pretende estocar o minério na mina e no Porto Gregório Curvo (Porto Esperança).

A empresa informou que está providenciando liberação ambiental para novos pontos de estocagem, como medida preventiva. Apesar das restrições do rio, a TBN (Transbarge Navegación), empresa da Rio Tinto com bandeira paraguaia, manterá o transporte. 

Sílvio Andrade, Corumbá

Hidrovia Paraná - Paraguai





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