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03/05/2007
Transcrição da fala de Murício Tolmasquin na Câmara de DeputadosPolêmica com a WWF O problema das hidrelétricas Ora, para obter a licença tem um longo trabalho a ser feito. Primeiro você tem o estudo de inventário da bacia, aonde você vai patrocinar as quedas, o que dá uns dois anos. Depois tem o estudo de viabilidade, um ano e meio. Depois tem o processo de licença, que aqui [na tela] eu não botei nada, mas pode levar quatro anos, cinco anos, né? Depois tem o processo licitatório, o projeto básico, a construção e depois você tem a usina por 50 anos, 100 anos, a gente não sabe. As usinas hidrelétricas são algo fenomenal. A vida útil é quase eterna. Você vai botando ali, tem que fazer manutenção, mas tem aquilo para um longo tempo. Mas você tem que fazer estudo de inventário. Durante muito tempo, esse país deixou de fazer estudo de inventário. Deixou de fazer estudo de viabilidade em quantidade necessária. A conseqüência aqui, é que no processo de licitação, a gente tem certa dificuldade de obter as licenças. (...) Nós estamos retomando, na EPE, por determinação do MME, esses estudos de inventário, de viabilidade, de Avaliação Ambiental Integrada, porque agora para obter a licença também tem que ter a AAI e de Viabilidade. (...) Então, no estudo de inventário, você pega a bacia e partocina a queda, dando o aproveitamento ótimo dessa queda, do ponto de vista hidroenergético. (...) E nós estamos fazendo inventários já incluindo a AAI da bacia dos seguintes rios: rio Branco, rio Trombetas, rio Aripuanã, rio Jari, rio Muri [ou Buri], rio Juruena totalizando 14.750 MW. Mas é claro, isso leva um tempo. Isso significa que nós teríamos, no futuro, empreendimentos a licitar, mas hoje existe no país um hiato de projetos hidrelétricos em condição de ser licitado. Isso eu acho que nós precisamos enfrentar. E esse aumento de custo que a Silvia apresenta, fala, é uma conseqüência disso. Quer dizer, teremos que usar mais térmicas sim, enquanto não tiver esses projetos hidrelétricos. E se nós, quanto mais tempo demorar para conseguir esses projetos hidrelétricos, mais caro será a geração. Não tem milagre. Porque a térmica é mais cara e terá que operar mais. Ou viabilizamos os projetos hidrelétricos, ou ficará mais cara a energia. Não tem jeito. Será mais caro sim. (...) Está sendo feita também, a AAI dos inventários que tinham sido feitos antes. Por quê? Porque os inventários antigos foram feitos numa época em que essa questão não era fundamental e agora é. Então a gente tá fazendo aqueles estudos. Então estamos fazendo AAI do Parnaíba, do Tocantins e formadores, Paranaíba, Doce, Paraíba do Sul, (...) Aí depois disso vem os estudos de viabilidade, onde você vê a viabilidade econômica e a viabilidade ambiental, no EIA/RIMA. (...) Nós estamos fazendo os estudos de Teles Pires, né, e do rio Apiacás. Dá mais ou menos 3200 MW que ficando pronto e tendo a licença poderão ser postos em licitação para os empreendedores privados ou estatais, né, concorrerem e poderem construir. Ou auto– produtores, né? Então, o potencial pra ser aproveitado... o que que a gente tem pra aproveitar? Grande parte do que falta aproveitar está na região Norte do país. E isso é uma questão fundamental, que nós como país, vamos ter que discutir. Se nós quisermos aproveitar o nosso potencial, os dois terços que faltam, nós teremos que decidir que queremos usar esse potencial. Ou abrir mão e pagar uma energia mais cara e mais poluente. Nós temos que fazer essa escolha. (...) Veja bem, hoje, no bioma amazônico, 59% do bioma amazônico são usos tipo pastagem... diversos usos... é... usos diversos. 16% são unidades de conservação e 25% são terras indígenas. 0,25% são as usinas existentes e as usinas planejadas no plano decenal, que é o Madeira e Belo Monte. Então, o que nós estamos falando nesse primeiro momento, é que permitam que nós usemos 0,25% da Amazônia para usar aquela energia mais limpa. (...) É interessante também, que aquelas usinas existentes, em termos de alagamento, para cada Km ... cada MW gerado alaga 52 Km2. As usinas do PDE, do plano, para cada MW gerado, alaga 0,27 [Km2]. Belo Monte, para cada MW gerado, alaga 0,04 Km2. E Jirau e Santo Antônio, para cada MW gerado, alaga 0,08 e 0,09. Ou seja, o benefício, em termos de geração de MW, em termos de custo ambiental é muito grande. (...) Aqui [na tela], nós fizemos um exercício. Isso aqui é o plano que a gente está rodando, o novo plano, a proporção entre hídricas e outras fontes, tá? Então, nós chegaríamos no caso base, com 69% de hídrica e 29 de térmica e tem uns outros aqui. Bom, 69% de hídrica. (...) Aí nós fizemos a seguinte coisa: e se nós não fizermos o Madeira e substituirmos o Madeira por termelétricas? Nós chegaríamos a 64% de hídricas. Aí fizemos um outro ajuste: e se não fizermos o Madeira nem Belo Monte? Chegaríamos a 61% de hídricas. E se não tivéssemos o Madeira, nem Belo Monte, nem as outras que são do Norte, porque tem o Tapajós, tem outras usinas lá. E se não vai dar licença pro Madeira nem pra Belo Monte, provavelmente não vai dar pra mais nenhuma na Amazônia. Então, a matriz poderá, em curtíssimo espaço de tempo, sair de uma matriz hidrelétrica... quer dizer, isso é supondo as usinas funcionando na base, só pra dizer a hipótese que tá aqui... a ser uma matriz... praticamente... elétrica... térmica. Então, existe esse risco se não for... se nós não fizermos. O que é uma decisão que tem que ser tomada. (...) Qual é a conseqüência disso em termos... e é aí que tá a ironia do processo, hoje tá muito em voga a questão do efeito estufa, que é causado principalmente pela emissão de CO2. Em 2006, se todas as usinas funcionando na base, todas as térmicas funcionando na base, nós teríamos uma emissão potencial de 56 milhões e 800 mil toneladas de CO2. Ora, considerando, então, se nós tirarmos essas usinas todas, o Madeira, essas todas do Norte, nós chegaríamos em 2016 com uma emissão potencial de 176 milhões de toneladas, que é mais ou menos, mais de três vezes a emissão potencial de hoje. Eu tô mostrando essa ironia, é que eventualmente, em nome do meio ambiente, o Brasil poderá sair da estrela internacional que hoje ocupa por ter uma matriz energética mais renováveis do mundo. 44% da nossa matriz é renovável, contra 6% do resto do mundo, para uma situação em que nós poderemos ser o grande vilão das emissões de CO2. Porque nós poderemos ter que, justamente... é... mudar a inversão... e isso em nome da proteção do meio ambiente, que é você não construir hidrelétrica.” |
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