
Aconteceu no último dia 28 de junho em Uberlândia, Minas Gerais, o Seminário "Biocombustíveis: como a sociedade civil contribui para o monitoramento da expansão do setor?".
O principal objetivo do encontro foi discutir o papel da sociedade civil frente à retomada dos investimentos aos biocombustíveis no cenário de pós-crise econômica.
Já na abertura do seminário a ONG 4 Cantos do Mundo, representada por Cristiane Azevedo, fez uma apreciação geral sobre o tema e destacou a importância de se discutir sobre o assunto.
A segunda apresentação do seminário ficou por conta da Secretária Operativa da Redebio, coordenada pela ONG Ecoa – Ecologia e Ação, no momento representada por Silvia Santana.
Além de expor os trabalhos que vem sendo desenvolvido pela Ecoa na área de biocombustíveis, Silvia apresentou o trabalho: “Pecuária, grãos e cana-de-açúcar” desenvolvido pelo biólogo e diretor executivo da Ecoa, Alcides Faria e pela economista Ângela Frata.
O estudo tem como ponto de partida a análise dos processos de expansão de grãos existentes na região hidrográfica do rio Paraná e, mais especificamente, na sub-bacia do rio Ivinhema, unidade geoambiental inteiramente localizada no Estado de Mato Grosso do Sul. Esta região é uma das que mais atrai investimentos em unidades produtoras de açúcar, etanol e energia elétrica de grupos econômicos nacionais e internacionais como Louis Dreyfus, Adecoagro, Odebrecht, Unialco, Infinity Bio-energy, dentre outros.
Os responsáveis pelo estudo calculam investimentos de aproximadamente 18,19 bilhões de reais até a safra de 2014/15 caso todas as 54 usinas em implantação e planejadas estejam operando.
Depois das apresentações que duraram todo o período da manhã, iniciaram-se os trabalhos de grupo. A intenção era que das discussões saíssem resoluções mais palpáveis e propostas para que a sociedade civil consiga acompanhar mais de perto as transformações causadas por este setor em diferentes regiões do Brasil. Sendo assim, foi coloca a idéia da criação/construção de uma matriz de sustentabilidade.
Essa matriz de sustentabilidade a princípio será criada sobre a sub bacia Sapucaí-Mirim (MG) e abordará aspectos como: levantamento das comunidades tradicionais que vivem na região, dados sobre agrobiodiversidade, segurança alimentar, hidrogeologia, identificação as ameaças ambientais existentes e a identificação de possíveis atores sociais.
A criação desta primeira matriz servirá como pano de fundo para que outras sejam criadas, construindo assim uma rede de sub bacia que possuam um levantamento completo sobre a expansão do setor de biocombustíveis e seus possíveis impactos.