Ecoa - Rios Vivos

Você está em:
31/01/2003

Atingidos por barragens lutam para governos seguirem estudo

Fonte: Ecologia em Notícias Edição - 351

"Não adianta fazer mais estudos, se ele só vai ser utilizado por intelectuais e entidades. Precisamos fazer o povo se apropriar do relatório para cobrar do governo", alerta Marco Antônio Trierveiler, membro da coordenação do MAB

De acordo com a coordenação do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) se todos seguissem as recomendações do estudo realizado pela CMB (Comissão Mundial de Barragens), não seria construída mais nenhuma barragem no mundo. A afirmação foi feita durante o seminário Comissão Mundial de Barragens - dois anos depois, realizado no dia 26 de janeiro, no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, pelo MAB.

Segundo Marco Antônio Trierveiler, membro da coordenação do MAB, o relatório apresenta pontos positivos e negativos. O debate sobre barragens ganhou dimensão mundial depois que o estudo da CMB foi publicado e trouxe força ao movimento, por outro lado há uma resistência dos governos em utilizar as recomendações do documento. "Não adianta fazer mais estudos, se ele só vai ser utilizado por intelectuais e entidades. Precisamos fazer o povo se apropriar do relatório para cobrar do governo", alerta Marco Antônio Trierveiler.

A Comissão Mundial de Barragens, ligada à ONU, foi criada em 1998 para analisar os conflitos dos projetos de represas e propor uma nova solução. Em novembro de 2000, a CMB publicou o relatório final. O grupo de trabalho foi formado por integrantes dos governos, instituições multilaterais, empresas construtoras, ambientalistas e movimentos de atingidos por barragens de todo o mundo.

No total, foram visitadas 100 usinas no mundo e feitos 15 estudos de casos, a usina Tucuriú, no Brasil, foi o único caso estudado na América Latina. Marco Antônio também questiona o uso da energia no Brasil, "temos que discutir como ter energia e como utilizá-la, se não sempre estaremos precisando de mais. As empresas eletrotensifas, como por exemplo as de alumínio, e os shoppings são os grandes desperdiçadores de energia", explica.

Hoje são 17 milhões de brasileiros que não têm energia elétrica. "Produzir energia através de obras de grande escala, barata e limpa, devem ser revisadas. As barragens são baratas porque não há o investimento nas famílias atingidas", afirma Célio Bermann, professor da USP (Universidade de São Paulo), demonstrando que as represas não são a melhor saída para a produção de energia. Estas grandes obras desalojaram milhares de pessoas, uma enorme massa de camponeses, perdeu suas casas, terras e o seu trabalho. Muitos foram morar nas periferias das grandes cidades.

No final dos anos 70, na região Nordeste, a construção da UHE (Usina Hidrelétrica de Energia) de Sobradinho no Rio São Francisco, deslocou mais de 70.000 pessoas. Outras UHE como Itaipu na bacia do rio Paraná, as Usinas de Machadinho e Itá na bacia do rio Uruguai e a de Tucuruí  apresentam ainda hoje, problemas sociais e ambientais pendentes de solução devido a construção das barragens. Quem tiver interesse no relatório da Comissão Mundial de Barragens, pode ter acesso ao resumo através do e-mail mab@mabnacional.org.br  ou no site www.dams.org






Estas instituições apóiam projetos da ECOA e Coalizão Rios Vivos e não necessariamente as informações veiculadas no portal.
Conservacao Internacional InnBativel IUCN Mott Foundation
2004 © ECOA. Todos os direitos reservados
ECOA- ECOLOGIA E AÇÃO (67) 3324-3230