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20/04/2006
Quatro barcaças à deriva quase batem em estação de captaçãoCorreio do Estado 20/04/2006Quatro barcaças navegando à deriva pelo Rio Paraguai por pouco não provocaram estragos na estação de captação de água bruta e em embarcações atracadas no Porto Geral de Corumbá, por volta das 23h50min do dia 18 de abril. Segundo a Capitania Fluvial do Pantanal, da Marinha do Brasil, o pequeno comboio se desprendeu do local onde estava ancorado, no km 1.524 do rio, a três quilômetros da área urbana corumbaense, no sentido de navegação rumo a Cáceres, em Mato Grosso. As barcaças desceram cerca de dez quilômetros e só foram contidas nas proximidades da cidade de Ladário, em frente a um hotel que fica na margem do rio, por volta da 1 hora do dia 19. O capitão fluvial do Pantanal, capitão-de-fragata Santos Jorge Esperança Júnior, explicou que uma lancha da Marinha responsável pela fiscalização permanente da navegação no rio, atuando 24 horas ininterruptas, avistou as barcaças vazias e acionou o serviço de resgate, que contou com o apoio de um rebocador. "As barcaças desceram o Rio Paraguai, fizeram a curva, passaram próximas à captação de água e de algumas embarcações atracadas no porto. Por pouco não causam um acidente de maiores proporções", observou o capitão fluvial. Segundo ele, a empresa que havia fretado as barcaças é reincidente nesse tipo de ocorrência. Santos Jorge destacou a importância da Marinha na vigilância permanente à navegação no Rio Paraguai. "Se não tivéssemos equipe presente, seria difícil a ação imediata", observou. Inquérito administrativo de fatos e acidentes da navegação foi aberto para apurar as circunstâncias e responsabilidades que levaram ao incidente. As perícias nos locais onde estavam atracadas e nas barcaças já foram realizadas. O prazo de conclusão dos processos é de 90 dias. Passado o período de investigações, os resultados serão encaminhados ao Tribunal Marítimo, sediado no Rio de Janeiro. Preocupação O caso remeteu a um incidente ocorrido na segunda quinzena de agosto do ano passado, quando, num intervalo de aproximadamente quarenta e oito horas, um rebocador navegando irregularmente e 12 barcaças soltas quase colidiram com a estação de captação. O incidente também trouxe de volta uma antiga preocupação da Capitania com a posição e as condições de segurança da estação de captação de água bruta, localizada em frente ao Porto Geral corumbaense. A preocupação com uma possível colisão contra a estação – discutida pela própria Capitania no último trimestre de 2005 – se justifica pela possibilidade de causar um colapso no abastecimento de água na cidade. Num encontro realizado em setembro, entrou em discussão a elaboração de um diagnóstico apontando o grau de conservação da estação; data da última inspeção estrutural – inclusive da parte submersa; o limite de impacto que a estrutura suporta em caso de colisão; existência de um plano de ação para ser efetuado num hipotético acidente e instalação de equipamentos de segurança contra colisões (os chamados "dolfins"). Também foi discutido o andamento do estudo que avalia a possibilidade de remoção da estação do local atual. Na última semana, a Marinha abriu inquéritos para apurar causas e responsabilidades nos naufrágios de duas barcaças carregadas de soja e minério de ferro, ocorridos no Rio Paraguai, em Corumbá, nos dias 12 e 13 de abril, respectivamente. | ||