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31/01/2002

Primeira experiência vai beneficiar Cambaru, nativo do bioma

Fonte: Ecologia em Notícias - Edição 305

Sementes e mudas de Cambaru.Valor comercial da espécie será explorado pelo assentamento. Hoje, 1 tonelada das amêndoas da espécie beneficiada vale cerca de 30 mil reais. Fotos: arquivo/Ecoa.

As primeiras experiências para a geração de renda com a utilização sustentável dos recursos que o Cerrado oferece no assentamento Andalucia serão feitas com a espécie nativa Baru ou Cambaru (de nome científico Dipteryx allata). A proposta para o beneficiamento da leguminosa com a realização de pesquisas de novos usos e inserção na alimentação humana como, por exemplo, na merenda escolar, é pioneira e inédita em Mato Grosso do Sul. A valorização que a espécie tem hoje no mercado consumidor é um dos grandes atrativos para o investimento na produção sustentável. No Brasil, uma tonelada de amêndoas beneficiadas de Cambaru vale cerca de 15 mil reais. 

Além da coleta feita sem agredir a planta ou desequilibrar o meio ambiente, a produção de alimentos com o Cambaru no Andalucia terá parte da matéria-prima para produção fornecida por um viveiro do próprio assentamento. O assentado e coordenador do viveiro, Donizete Bilhar, afirma que o Cambaru é uma das principais espécies dentre as 5 mil mudas nativas do Cerrado produzidas e disponíveis para plantio. "Do fruto do Cambaru se extrai uma amêndoa consumida como aperitivo e a polpa também se torna alimento para o homem ou animal. Nos campos de Cerrado, a espécie pode ser utilizada como forrageira e alimento para o gado", comenta Bilhar sobre as vantagens da planta. 

O pequeno produtor também já está se capacitando. Bilhar participou de 24 a 26 de janeiro, em Brasília - Distrito Federal, de uma oficina de planejamento dos projetos selecionados dentro do Programa de Pequenos Projetos (o PPP do GEF). De volta a Mato Grosso do Sul, Bilhar está bem otimista. "Acho que as coisas vão melhorar muito mais", afirma o assentado que trocou experiências com integrantes de outros projetos desenvolvidos em Tocantins, Goiás, Mato Grosso, Maranhão, Piauí e Roraima. "Pela primeira vez aprendi a eliminar falhas e melhorar projetos apresentados, além de fazer contatos importantes para as ações no assentamento", diz ele. 

O viveiro mantido por 12 famílias de assentados é uma das iniciativas da ONG Ecoa para a construção de um modelo de assentamento sustentável em MS. Hoje, são comercializadas mudas nativas do Cerrado a 1 real e a experiência vai fornecer subsídios para a implantação da Rede de Sementes do Pantanal, um projeto de estruturação de redes para fomento ao setor de sementes e espécies florestais.





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