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12/05/2011

PARNA Pantanal auxilia comunidade durante a maior cheia dos últimos 16 anos

Fonte: Blog do Parque Nacional do Pantanal, em 11 de maio de 2011
A cheia pantaneira de 2011 ocasionou uma situação extremamente complicada para a Comunidade da Barra do São Lourenço, localizada a 216 km ao norte de Corumbá/MS seguindo pelo rio Paraguai, deixando a maioria das casas invadidas pela água. Alguns proprietários abandonaram suas moradias, enquanto outros, motivados principalmente pela necessidade de cuidado com os animais domésticos, persistem no local e esperam pelo início da baixa das águas.

Outro problema enfrentando é a falta de locais para refúgio dos animais, os domésticos como cães e gatos se abrigam principalmente nos barcos. O gado foi levado para escassas porções de terra em locais mais altos e os moradores fazem fogueiras na tentativa de aquecer os animais ilhados.
Os estrados foram construídos a partir de troncos de árvores da região e de tábuas que estavam em desuso na sede do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense na tentativa de abrigar as pessoas e seus pertences, muitos dos quais estão sendo armazenados no topo das árvores ou sobre os telhados das residências.
 
O entreposto construído pela ONG ECOA (Ecologia em Ação) e que era utilizado para manejo de iscas foi destinado ao abrigo de famílias bem como móveis e utensílios dos moradores da região. O Secretário Municipal de Educação de Corumbá, Sr. Hélio de Lima, já autorizou a reabertura da escola, que será utilizada para abrigar os pertences dos moradores. A escola que está com aulas interrompidas devido ao período da cheia, teve sua estrutura comprometida pela ação das águas e necessitará de reparos na volta às aulas.

As equipes do Parque Nacional do Pantanal e ECOA realizam ações de assistência visando minimizar os efeitos negativos para a população. O chefe do Parque Dr. José Augusto Ferraz de Lima autorizou a doação de materiais inservíveis à Unidade, mas aproveitáveis para socorro, como colchões, camas, cobertores e madeira em desuso; assim como embarcações e apoio de toda a equipe técnica do PN Pantanal, para apoio à comunidade. A ECOA, representada pelo Diretor André Luiz Siqueira, disponibilizou seu núcleo localizado na Serra do Amolar para possível abrigo bem como o entreposto que já está sendo utilizado. A transferência dos moradores ainda não foi realizada, pois os mesmos estão na esperança de que o nível do rio venha a baixar rapidamente, bem como se encontram receosos em abandonar suas casas e criações.

A dinâmica das águas no Pantanal é regida pelas chuvas ocorridas do período de outubro a março. Este ano, as chuvas começaram atrasadas, o que levou inclusive a previsões de uma cheia tímida, mas quando as chuvas iniciaram, vieram intensas e concentradas, o que explica a cheia atual. Segundo os moradores da região, desde 2006 os rios não chegaram a este nível.

Segundo o pesquisador Dr. Carlos Padovani, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa- Pantanal) a estação de medição de nível mais próxima é a de Bela Vista do Norte, que ainda está na fase de subida das águas, mas a previsão é que a mesma se estabilize em breve e o nível da água comece a descer. Isso deverá ocorrer porque as estações de Cáceres, no rio Paraguai acima, e de Porto Zé Viana (ou Porto Alegre) no rio Cuiabá, já estão em fase de vazante.

O PN Pantanal e seus parceiros acreditam que as atividades de conservação abrangem também o cuidado com a qualidade de vida das pessoas que vivem no seu entorno, bem como se preocupam com as medidas que serão tomadas pelas autoridades visando que essa situação não se repita em novos períodos de cheia. Segundo o chefe do Parque nossa missão é “Contribuir para a Conservação da Biodiversidade, Cultura e Tradição Pantaneira” e isto implica em interagir com as comunidades do entorno, não somente no aporte do seu conhecimento tradicional, que é importante para a conservação, como também na reciprocidade de lhes ajudar a conseguir melhores alternativas de renda e qualidade de vida, como obter seu apoio para a conservação da biodiversidade.

Mesmo com as dificuldades da comunidade, ainda é possível extrair beleza da natureza. No link abaixo podem ser encontradas belas imagens do fotógrafo Luciano Candisani:

http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/blog/pantanal-cheia-historica-286721_comentarios.shtml?8166680
Dayani Guero




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