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26/07/2010

Os enfeites de Fátima e lavradores envenenados

O Diretor Executivo da Ecoa, Alcides Faria publicou em seu blog no dia 25 de julho um texto comentando a notícia, “Os enfeites de Fátima e lavradores envenenados” publicada na Folha de São Paulo no dia 17 de julho de 2010. Confira:

“Fátima do Sul, uma pequena cidade de Mato Grosso do Sul às margens do Dourados, um dos rios da bacia do Ivinhema, foi notícia na Folha de São Paulo de 17 de julho de 2010 por uma razão trágica: o envenenamento de seus agricultores por biocidas agrícolas. A jovem jornalista Marcelle Souza mostrou na matéria que náuseas e depressão são comuns e que muitos chegam ao suicídio.

Geologicamente o município faz parte do Planalto de Dourados, caracterizando-se por terras planas e solos profundos, próprios para a produção intensiva de grãos com uso da mecanização. Sua formação veio por decisão de Getúlio Vargas na década de 40, com a distribuição de pequenas parcelas, principalmente para migrantes nordestinos. Com a moderna agricultura sempre me chamou a atenção as plantações agrotóxico-intensivas de soja, sorgo, milho ou algodão rente às paredes das residências. Há muitos anos, ao trafegar pela via principal que corta a região (BR-376), estranhei ver ao longe uma “neblina” em tarde de sol aberto, a qual, na verdade, era uma nuvem de agrotóxicos aspergidos em plantações de algodão por lavradores sem nenhuma proteção.

Relatei em meu blog, em novembro de 2006, outra “neblina” em um vilarejo distante menos de 100 quilômetros de Fátima do Sul, sob o titulo “Nuvem ‘nebulosa’ ou nem tanto”. Desta vez em cena a envenenadora aviação agrícola: Ontem, 15 de novembro, no final da tarde uma nuvem pairava próximo ao povoado de Aroeira - atravessado pela BR-163 - no município de Rio Brilhante, Mato Grosso do Sul. À distancia parecia poeira o que me causou estranheza pois não ventava e não havia transito nas vias vicinais ou laterais não asfaltadas da rodovia - o que às vezes, em algumas regiões, eleva poeira que atinge a pista. Ao atravessá-la o cheiro forte incomodou e pareceu o de algum biocida de lavoura.

Coincidentemente, minutos antes, com o sol se pondo no horizonte, um avião agrícola cruzou a estrada para, certamente, voltar a sua base depois aspergir seus venenos pelos céus.”

A suspeita sobre os danos dos biocidas em Fátima do Sul sempre esteve presente. O que entendo necessário é que pesquisas sejam aprofundadas e estendidas para outras áreas da saúde, como por exemplo sobre os índices de ocorrências de linfomas, câncer associado a biocidas agrícolas e nitratos presentes na água de consumo em decorrência da aplicação de fertilizantes.

Com relação à palavra “enfeites” do titulo é para registrar o modelo de administração de Fátima do Sul. Lá o centro da cidade de formação típica da região, com uma longa rua com casas comerciais em contraste com estranhos postes de iluminação de estilo colonial e enormes floreiras redondas, tipo cinzeiro, nos estacionamentos. Como se isso não bastasse, construiu-se uma inútil estrutura de aço na ponte sobre o rio Dourados. Apenas mais um enfeite de mau gosto,  com dinheiro público.”

Veja o texto da jornalista Marcelle Souza na íntegra clicando no ícone download abaixo.

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