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18/01/2006

Ongs realizam encontro durante Conferência de Ramsar

Visando trocar experiências, conhecer iniciativas e projetos desenvolvidos nas áreas úmidas e ampliar possibilidades, a NC-IUCN/SWP realizou reunião durante a COP9 Ramsar com organizações não-governamentais. Brasil, Mali, países africanos, Bolívia, Nepal e Costa Rica tiveram oportunidade de apresentar ações em suas regiões e falar de resultados positivos e problemas enfrentados na conservação e uso sustentável das áreas úmidas.
O Brasil apresentou ações desenvolvidas pela Ong Ecoa, que atua em uma região transfronteiriça entre Brasil, Bolívia e Paraguai e tem sido parceiro local do Programa de Pequenos Fundos para Áreas Úmidas da IUCN, e do Instituto Terramar, que se dedica ao desenvolvimento sustentável de populações costeiras no Nordeste brasileiro. "Estamos interactuando com outros atores buscando construir um plano de desenvolvimento integrada e sustentável do Sistema de Áreas Úmidas Paraguai-Paraná e a troca de experiências, principalmente com organizações que também desenvolvem ações em regiões transfronteiriças, como é o caso de ongs da África", afirma a ecóloga e coordenadora do Programa Pantanal para a Ecoa, Rafaela Nicola.

No Oeste africano, no delta do rio Niger, onde existe grande pressão humana sobre os recursos naturais, uma proposta desenvolvida com apoio da IUCN está criando uma área protegida para aves aquáticas e construindo acordos locais para o uso dos recursos naturais, que inclui manejo, recuperação ambiental, capacitação local e educação ambiental. Outro projeto apresentado foi o de Manejo Sustentável de Zonas Úmidas do Kênia, que atua com legislação para áreas úmidas desenvolvendo mecanismos e arranjos institucionais, formação de capacidades em diversos níveis, produção e disponibilização de informações para atores que vivem na região.

O ambientalista Oscar Ximenes levou contribuições da Bolívia e do trabalho da FOBOMADE no Pantanal, contra a exploração petrolífera internacional e na questão dos transgênicos. "A exploração de petróleo internacional tem degradado os recursos naturais e agravado os quadros sociais de nosso país. Uma de nossas conquistas foi impedir a construção de três represas, atuando com a melhoria de qualidade de vida. O trabalho mais recente está acontecendo na lagoa Taxara, que estamos tentando preservar", relata Ximenes.

Outros assuntos como conservação de mangues, experiências piloto de sustentabilidade e manejo de recursos naturais, geração de renda em áreas úmidas, criação de áreas protegidas e a continuidade dos diálogos entre as Ongs foram debatidos durante a COP9 Ramsar. Participaram da reunião todas as organizações que atualmente desenvolvem projetos ou são parceiras da NC-IUCN/SWP. “As Ongs da África têm experiências interessantes sobre participação em projetos locais. Na América do Sul, as melhores experiências estão nos trabalhos que envolvem as políticas públicas ambientais. A Ecoa, por exemplo, nossa parceira local no Pantanal, trocou informações com outra Ong, da África, sobre gestão transfronteiriça de áreas úmidas e bacias hidrográficas; isto é muito importante em termos de inspiração para que ações não se sobreponham, mas se aperfeiçoem com o intercâmbio de experiências dos projetos”, avalia o coordenador do Programa de Pequenos Projetos de Áreas Úmidas (Small Wetlands Program) da NC-IUCN/SWP, Henry Roggeri.

Allison Ishy




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