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17/01/2005

ONGs fazem campanha para arrecadar alimentos e roupas

As organizações não-governamentais Vida Pantaneira, de Porto Murtinho, e Ecoa – Ecologia e Ação, de Campo Grande, estão arrecadando até o fim do mês de janeiro doações de roupas e alimentos para as comunidades Ayoreo no Pantanal. A iniciativa acontece pela segunda vez devido ao agravamento do estado de saúde dos indígenas e das mortes registradas em menos de um mês: 9 mulheres grávidas sofreram hemorragia e seis delas morreram. As crianças, muitas vezes, passam um dia inteiro sem comer, por não haver qualquer alimento disponível no dia.

Os alimentos mais consumidos pelos Ayoreo são:

  -  Arroz, Feijão, Farinha (de mandioca ou de trigo), Fubá e sementes de hortaliças ou outros tipos de plantas alimentícias.

Os locais e contatos de entrega das doações ou para mais informações são:

Em Campo Grande (MS)
Ecoa – Ecologia e Ação
Rua 14 de Julho, 3169, centro. CEP: 79002 333
Telefax: (67) 324 3230, com Alessandro Menezes ou Adriana Barros
E-mails: alems@riosvivos.org.br / floravivaterra@yahoo.com.br

Em Porto Murtinho (MS)
Vida Pantaneira
Rua Amonguijá, Quadra 02, Casa 01. Residencial Pantanal. CEP: 79280 000.
(Para correspondências acrecentar no endereço “Caixa Postal 28”)
Telefones: (67) 287 1997 / (67) 9985 5130, com Cida Donatti ou João Carlos Donatti
E-mail: vidapantaneira@portonetms.com.br

Para a professora Cida Donatti, presidente da Ong Vida Pantaneira, apesar dos indígenas possuírem área para plantio, até o momento as comunidades não conseguiram fazer um planejamento para que as culturas de alimentos sejam contínuas. “Além da fome, um quadro gravíssimo atual se revela no estado de saúde das crianças, mulheres e idosos Ayoreo, e sabemos que a maioria morre por causa da desnutrição que afeta a saúde”, declara Cida Donatti.

Sensibilizados com a situação dos Ayoreo, voluntários da Ong Ecoa – Ecologia e Ação também ajudam na campanha. “Como voluntária, estou fazendo contato com pessoas que possam ajudar na campanha”, revela a ambientalista Adriana Barros, que em 2003 ajudou a organizar outra campanha contra a fome Ayoreo, quando várias crianças morreram em poucos meses.

Ação pontual e discussão de alternativas
Apesar da campanha, as organizações reforçam que a ação é apenas pontual, não resolverá os problemas das comunidades a médio ou longo prazo. “Estas pessoas estão em situação drástica, sem alimentos e sem possibilidade de sustentabilidade em suas atividades, por isso vejo que hoje ainda estamos de mãos atadas”, lamenta a professora Cida, que tem visitado as comunidades mais próximas do município e conversado com lideranças Ayoreo para tentar amenizar o sofrimento.

Várias alternativas são discutidas hoje, mais por boa vontade e solidariedade do povo brasileiro, como a melhoria de condições de moradia, planejamento de um turismo cultural Ayoreo integrado com o turismo brasileiro e orientações técnicas adequadas para plantio de alimentos no Pantanal e recuperação do solo.

A Vida Pantaneira e a Ecoa – Ecologia e Ação conseguiram sensibilizar, ainda, uma Ong socioambiental do Paraguai, a Sobrevivência, que recentemente conheceu a situação dos indígenas paraguaios e estará participando das discussões sobre alternativas para a construção da sustentabilidade com os Ayoreo.
 
Mas pedido que as organizações e Henrique "Bom Caminho" fazem é apoio das autoridades governamentais e de mais organizações que possam realmente ajudar a planejar e executar ações para a obtenção da melhoria da qualidade de vida Ayoreo no Pantanal.

Leia também: AYOREO - Morte e fome de um povo pantaneiro

Clique aqui para saber mais sobre os Ayoreo





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