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13/06/2001

O Rio Paraguai, a Hidrovia e suas populações

Fonte: Debates: Em defesa do Rio Paraguai - Publicação Rios Vivos - Junho/2002

No século XIV havia mais de 200 etnias diferentes vivendo na região do Chaco e Pantanal. Quando a Rios Vivos diz que 40 milhões de pessoas serão atingidas pela Hidrovia não está exagerando, já que as margem do Rio Paraguai, o Gran-Chaco e o Pantanal sempre foram densamente povoados por povos indígenas, comunidades tradicionais, pois o rio sempre foi uma rota de penetração e difusão de pessoas e culturas.

Há a notícias que o Mega-Projeto original foi abandonado. Porém, não é isso que temos visto. Mas, uma nova forma de apresentação. Foi feita uma maquiagem ambientalista do antigo projeto, inclusive até com "slogan" do tipo: "A hidrovia é necessária, mas nós a queremos sustentável e ecologicamente correta. Adaptaremos as embarcações ao rio e não o rio às embarcações".

Mas, para que ela seja economicamente viável é necessário que se façam obras radicais, inclusive com explosão de parte do leito rochoso do rio, para que na época da seca haja também navegabilidade. Também, é necessário o incentivo da grandes lavouras de soja para sustentar e justificar a hidrovia. Alguns mega-projetos já foram instalados, como o Gasoduto. Outros estão sendo viabilizados como o corredor bioceânico.

Devemos considerar e quantificar todos os projetos, em sua totalidade e somados com todos, por que a soma de uma obra não representa o mesmo impacto da soma da totalidade de todos os outros projetos juntos.

O modelo que devemos adotar é aquele que as comunidades remanescentes, indígenas e não indígenas, herdaram de seus antepassados, , que favorece o desenvolvimento sustentável, que inclui a população e é de muito baixo impacto para o meio ambiente natural. Os governos locais devem ser autônomos e administrar de forma participativa e democrática proporcionando acesso eqüitativo aos recursos naturais às populações locais.

Hoje vemos, às margens do Rio Paraguai, a instalação de novas comunidades que expulsam as populações tradicionais ribeirinha, para ocupá-las com latifúndios. Esses, fazem desmatamento com trator e queimadas para o preparo da terra.

TESTEMUNHO DE UMA MORADORA DA BACIA PILCOMAYO - NOV/96 - COORDENADORA DE POVOS NATIVOS DA BACIA DO RIO PILCOMAYO

"Nós que somos indígenas estamos muito preocupados por que estamos vendo o desaparecimento do rio Pilcomayo. Nós não queremos que o mesmo ocorra com o Rio Paraguai, pois este é a fonte de vida dos pescadores, dos animais e de todos que vivem ao longo do rio. Nós, povos nativos e comunidades tradicionais temos vivido aqui por gerações sem causar nenhum mal ao rio.

Se a Hidrovia for executada muitos males acometerá ao rio. Desmatamento, danos ambientais sucederão ao cultivos da soja, desertificacão, as águas desaparecerão. A vida desaparecerá para que uns poucos ganhem muito. Os empresários removerão os povos para outras partes onde o solo já está esgotado. A terra já está morta. Isso de nada vale para nós. Muitos povos já foram removidos. Tudo isso acontecerá se mexerem no Rio Paraguai."

Hidrovia Paraná - Paraguai





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