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07/10/2009
Moção contra Belo MonteInstituto Socioambiental
Durante o seminário denominado "Clima e Floresta em debate: REDD e mecanismos de mercado como salvação para a Amazônia?", realizado em Belém (PA), diversas organizações da sociedade civil elaboraram moção repudiando a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu e se solidarizando com as populações tradicionais e originárias que habitam a região. Leia abaixo.
Moção de solidariedade aos povos originários e às populações tradicionais do Xingu, contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte Nós, movimentos sociais, organizações e redes da sociedade civil, reunidos no seminário “Clima e Floresta em debate: REDD e mecanismos de mercado como salvação para a Amazônia?” expressamos nossa solidariedade às lutas dos povos originários e das populações tradicionais do Xingu, em resistência à construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte. No momento em que a comunidade internacional se prepara para debater soluções para o aquecimento global no âmbito da COP 15 na Dinamarca, incluindo a discussão sobre mecanismos para a preservação das florestas como meio de redução das emissões de gases de efeito estufa, denunciamos que a Amazônia é hoje alvo de grandes projetos de infraestrutura, que agravam a degradação do meio ambiente e aprofundam o modelo de desenvolvimento responsável pelas mudanças climáticas. Neste contexto, condenamos particularmente os projetos de grandes usinas hidrelétricas como alternativas de energia limpa, como é o caso do projeto de construção da UHE de Belo Monte sobre o Rio Xingu. O discurso utilizado para legitimar projetos de construção de barragens, considera apenas o metano emitido na superfície do lago, sem sequer mencionar as emissões das turbinas e vertedouros. Esta é uma distorção ainda mais grave no caso de Belo Monte do que para outras barragens, uma vez que, do modo como está planejado o projeto, haverá um grande volume de água passando pelas turbinas, o que leva a uma maior emissão de gases. A energia que será gerada em Belo Monte, atenderá, sobretudo, à demanda de grandes empresas eletro-intensivas, que contribuem para a destruição da Amazônia em nome do saqueio e da exportação de nossos recursos naturais. Enquanto isso, por exemplo, aproximadamente onze mil pessoas da Reserva Extrativista Verde Para Sempre, localizada no município de Porto de Móz, permanecerão sem acesso à energia elétrica. A construção de Belo Monte atingirá 13 municípios e 18 aldeias indígenas e representa uma ameaça ao modo de vida dos povos originários, das populações tradicionais da Amazônia e de moradores e moradoras das áreas rurais e urbanas, verdadeiros interessados na preservação da floresta, bem como às suas culturas ancestrais. Trata-se, portanto, de um potencial crime sócio-ambiental, que ampliará a dívida social e ecológica da qual os povos amazônidas são credores. Condenamos ainda a criminalização dos movimentos sociais que há mais de 20 anos vem resistindo contra a construção da UHE Belo Monte, e cujas lideranças vem sofrendo um agravamento das difamações e ameaças de execução desde a intensificação do debate em volta da construção da usina. Os problemas enfrentados no esforço de preservação da Amazônia são graves e urgentes, mas não podemos nos deixar enganar por falsas soluções imediatistas. Só uma grande aliança firmada entre os povos da floresta será capaz de barrar a ofensiva do grande capital sobre a Amazônia. Belo Monte não passará! Belém, 03 de outubro de 2009 ASSINAM: FASE – SOLIDARIEDADE E EDUCAÇÃO FAOR - FORUM DA AMAZÔNIA ORIENTAL UNIPOP - INSTITUTO UNIVERSIDADE POPULAR GEAM/UFPA – GRUPO DE ESTUDOS EM CULTURA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL FÓRUM CARAJÁS IAMAS – INSTITUTO AMAZÔNIA SOLIDARIA E SUSTENTÁVEL REBRIP – REDE BRASILEIRA PELA INTEGRAÇÃO DOS POVOS ASSOCIAÇÃO CIVIL TERRA AZUL SOCIEDADE EM DEFESA DOS DIREITOS SEXUAIS NA AMAZÔNIA ASSOCIAÇÃO AGORECOLÓGICA TIJUPA REDE DE AGROECOLOGIA DO MARANHÃO ARTICULAÇÃO NACIONAL DE AGROECOLOGIA – AMAZÔNIA STTR – SINDICATO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS RURAIS DE SANTARÉM FETRAF – FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS NA AGRICULTURA FAMILIAR DO BRASIL FEAB – FEDERAÇÃO DOS ESTUDANTES DE AGRONOMIA DO BRASIL IDEIAS - INICIATIVA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL APA-TO – ALTERNATIVA PARA PEQUENA AGRICULTURA NO TOCANTINS APACC – ASSOCIAÇÃO PARAENSE DE APOIO AS COMUNIDADES CARENTES CNBB NORTE 2 – CONSELHO NACIONAL DO LAICATO DO BRASIL. MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES GMB – GRUPO DE MULGERES BRASILEIRAS AMIGOS DA TERRA BRASIL FÓRUM DAS MULHERES DA AMAZÔNIA PARAENSE REDE ALERTA CONTRA O DESERTO VERDE REDE GRASIL SOBRE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS MULTINACIONAIS REDE JUBILEU SUL BRASIL FAOC – FORUM DA AMAZÔNIA OCIDENTAL MOVIMENTO TAPAJÓS VIVO FORUM DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DA BR 163 – PARÁ MMCC – ITAITUBA COORDENAÇÃO ESTADUAL DAS COMUNIDADEWS QUILOMBOLAS DO ESPIRITO SANTO FORMAD SINDICATO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS RURAIS DE CAMETÁ REDE DE MULTIPLICADORES CNS – CONSELHO NACIONAL DAS POPULAÇÕES EXTRATIVISTAS NACE – NÚCLEO DE AGROECOLOGIA DO CERRADO ARPA – ASSOCIAÇÃO REGIONAL DE PRODUTORES AGROECOLÓGICOS MST – MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA TERRA DE DIREITOS SDDH – SOCIEDEDE PARAENSE DE DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS |
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