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04/02/2010

MS: campo fértil para grãos e conflitos

Foto: divulgação
Foto: divulgação

A Radio Nederland Wereldomroep apresentou no programa da série “Vozes sobre a Expansão da Soja no Brasil” organizações sócio-ambientais, produtores e indígenas, os mais prejudicados com a chegada do grão, avaliam os impactos que o grão vem provocando no Estado.


Alcides Faria, da Ecoa, ONG com vinte anos de atividades sócio-ambientais em toda a região, apresenta a geografia local. O biólogo avalia os impactos nos diferentes biomas, explicando como se dá a contaminação de toda a água e do pantanal, com os venenos utilizados na plantação da soja.

Além do veneno, o biólogo afirma que a soja e a pecuária levam sedimentos para o pantanal, gerando um dos problemas ambientais mais sérios do país. 


Problema fundiário

Especialistas, religiosos e indigenistas ajudam a explicar o conflito histórico em torno de terras produtoras do grão, áreas ancestrais dos Guarani-Kayowá. Essa é a maior etnia do Estado.


A reportagem da Rádio Internacional da Holanda visitou diversas áreas indígenas e conversou com produtores de soja sobre o conflito pela propriedade das terras, que estão em litígio. No município mais violento do país – Coronel Sapucaia, na fronteira com o Paraguai, num acampamento de reocupação de terras ancestrais, Kurusu Mbá, os Guarani-Kayowá relatam as atrocidades que sofrem e as mortes de parentes, enquanto estão cercados por campos de soja, em lonas pretas na beira da estrada.


Apesar da extrema penúria, os indígenas acampados sonham em reconstituir seu pedaço de mata atlântica e em plantar seus alimentos outra vez. E tentam cuidar, como podem, de outras vítimas da confusão pela posse da terra, desde os tempos de Getúlio Vargas. Uma idosa, que não fala português, traz um filhote de ema doente nos braços. Cuida da ave que nasceu de ovos colocados em ninhos nas plantações cheias de veneno na região do acampamento, antiga terra deles, ou Tekorrá, que reocuparam pela terceira vez, para forçar a demarcação. 


Enquanto a demarcação das quase trinta terras indígenas não sai, os Guarani-Kayowá continuam vivendo em extrema miséria, confinados em pequenas áreas ou ameaçados por pistoleiros quando tentam reaver o que perderam. Muitos se suicidam, por desespero. Os problemas com alcoolismo e drogas são grandes. Entre assassinatos e suicídios, foram 74 casos em 2008 e 75 casos em 2007, entre esses 40 mil indígenas.


Clique aqui para entrar no site da Radio Nederland Wereldomroep e conferir a entrevista na íntegra.

Railda Herrero e Mario de Freitas




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