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29/08/2007
Justiça salva Pantanal da destruiçãoMídia News 29.08.2007O relator do processo, desembargador João Batista Moreira, invalidou o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA). Foto: Jean Fernandes
O megaprojeto da hidrovia Paraguai-Paraná vai ficar no gelo. A decisão é da 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (Brasília), acertada nesta segunda-feira (27/08), mas divulgada somente na tarde desta terça-feira (28/08), pela assessoria de imprensa do órgão. A obra tinha a intenção de ampliar a navegação no trecho que segue da cidade de Cáceres, em Mato Grosso, até o porto uruguaio de Nova Palmira, uma extensão de 3,4 mil quilômetros.
O recurso definido pela 5ª Turma emperra a já embargada construção do Porto Morrinhos, em Cáceres, cidade distante 200 quilômetros de Cuiabá. Na prática, o relator do processo, o desembargador João Batista Moreira, invalidou o já concluído Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Juiz já era contra Para o juiz, quem deveria ter estudado sobre os impactos ambientais supostamente causados pela hidrovia deveria ser o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). À época desse desfecho judicial, em abril de 2001, o magistrado federal ainda condenou a Fema, a empresa Macrologística Consultoria e ABCL Hidrovias, interessadas na criação do porto, a pagarem honorários A idéia original diz que o Porto de Morrinhos seria projetado como terminal de cargas para soja, farelo, açúcar e madeira destinadas à exportação e com o terminal de descarga para trigo e sal importados. O Recurso Por determinação do TRF, o EIA-RIMA tem de ser preparado por um órgão federal, isto é, pelo Ibama, o mesmo que pensou o juiz Julier seis anos atrás. Pela decisão da 1ª Vara Federal, exigia-se que a pesquisa teria de ser feita pelo Ibama, e mais: que o estudo de impacto ambiental não se limitasse à Ou seja: de Cáceres até Porto Murtinho, fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. A União alegou à época que o custo era alto e que concordaria com os EIA/RIMA isolados e não em por toda a extensão da hidrovia. A hidrovia, alegou a União, possui área total de 3.440 quilômetros, envolve dois grandes rios, o Paraná e o Paraguai, cortando o Pantanal, possui, portanto, uma infra-estrutura física e portuária de dimensões macroscópicas. Os impactos Intervenção das Ongs Já as Ongs (Organizações Não-Governamentais), como Ecoa - Ecologia e Ação, Rede Pantanal e à Coalizão Rios Vivos, destoam desse discurso. Apontam impactos negativos como estragos ambientais, sociais e econômicos, caso o projeto siga adiante. Para a presidente da ong Vida Pantaneira, de Porto Murtinho, Cida Donatti “essa vitória ficará como lição a todos que acreditam que a força dos movimentos, povos, organizações não é limitada e sempre é bom acreditar e resistir. Já tivemos duas conquistas. A primeira foi quando não autorizaram o Porto de Morrinhos e agora a decisão do Tribunal Regional Federal”. O secretário-executivo da Rede Pantanal, Alessandro Menezes vê com bons olhos essa ratificação do Tribunal Regional Federal. “Isso só vem confirmar o que os ambientalistas e cientistas vem falando praticamente a mais de uma década. Essa decisão é de suma importância para a proteção de uma das regiões mais selvagens do mundo”. Confira o acompanhamento da Ecoa neste assunto em 2007: Governo de MT participa de discussões sobre hidrovia | ||