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06/06/2007

Inimigo Íntimo

A entrevista com Thelma Krug, nova Secretária Nacional de Mudanças Climáticas do Ministério de Meio Ambiente (MMA) assusta pela semelhança com o discurso feito pelo Presidente Bush na semana passada ao apresentar sua “iniciativa pelo
Clima e energia”. Ambas as posições são atrasadas, limitadas e perigosas.

Ao considerar a opção nuclear para o Brasil, a representante do MMA não  apenas contradiz publicamente a própria ministra Marina Silva, mas também ignora os cenários alternativos desenvolvidos pela sociedade civil e academia brasileiras, como o estudo Revolução Energética, elaborado pelo Greenpeace/GPEA- USP, disponível em www.greenpeace.org.br . Estudos como este mostram que o Brasil poderá gerar a energia que precisa para crescer eliminando as energias sujas como carvão, diesel e nuclear.

Outro ponto que chama a atenção na entrevista é quando a Secretária afirma não acreditar em “desmatamento zero”. Cerca de 70% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa são provenientes do desmatamento. Na prática, zerar o desmatamento significa garantir maior governança nas florestas, por meio de políticas de combate ao desmatamento e fortalecimento das instituições públicas de comando e controle. Uma política de “desmatamento zero” valoriza a floresta em pé e os serviços ambientais prestados por estes ecossistemas, inclusive o equilíbrio climático e hidrológico do planeta. Como disse a ministra Marina, é possível dobrar a produção agropecuária do país sem derrubar uma só árvore na Amazônia, usando apenas as áreas já degradadas.

O Greenpeace considera ainda uma vergonha a ausência de uma política nacional de combate ao aquecimento global. O Brasil não pode esperar dois anos para resolver como vai eliminar o desmatamento, ampliar a participação das energias renováveis na matriz energética brasileira, identificar as áreas e setores sócio- econômicos mais vulneráveis e elaborar um plano de adaptação para as populações que já estão vivendo as conseqüências do aquecimento global no país. Esta é uma situação emergencial que exige prioridade absoluta do poder público. A população brasileira precisa de informação, debate e respostas.

Para finalizar, lembramos que o Brasil é o quarto maior emissor de gases efeito estufa do planeta e deve assumir a sua responsabilidade na forma de meta de redução, que é, obviamente, menor que a dos países ricos que contribuíram historicamente para o problema. Atravessamos um momento de responsabilidade moral que implica forte compromisso político. Se, como parece ser o caso, a autoridade máxima do MMA para clima, secretária Krug, não é capaz de reconhecer nossos desafios em relação ao desmatamento e à matriz energética, nós brasileiros temos pela frente um problema tão sério quanto a sociedade americana com seu presidente Bush.

Marcelo Furtado
Diretor de Campanhas do Greenpeace Brasil.





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