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14/05/2010
Eventos climáticos extremos no Brasil
A atenuação dos efeitos das mudanças climáticas globais e a adaptação a estas são os maiores desaios da humanidade neste início de século. O progresso econômico e cientíico, que contribuiu decisivamente para a solução de problemas históricos e aumentou o nível de bem-estar da população nas últimas décadas, trouxe um inimigo desconhecido até agora. Mais do que nunca, dependemos da geração de eletricidade, do transporte de passageiros e mercadorias, da produção de alimentos e de outras conquistas de nossa civilização, todas envolvendo a emissão de
gases do efeito estufa (GEE). Como consequência desse aumento da concentração de GEE na atmosfera, a elevação na temperatura média do planeta já é uma realidade e, de acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, uma elevação de 2ºC na temperatura média da Terra parece inevitável, mesmo que todas as medidas para reduzir as emissões e capturar carbono se concretizem. No cenário mais pessimista, mantendo-se as atividades atuais, as previsões são de um aumento de mais de 6°C na temperatura média da Terra, com consequências catastróicas para os ecossistemas e a humanidade. Embora os modelos adotem uma margem de incerteza, para a maioria dos cientistas que estuda esse campo não restam dúvidas quanto ao risco das mudanças climáticas e do papel humano no agravamento delas. Como o equilíbrio climático do planeta é frágil, o aumento das temperaturas já registradas criou situações novas, como a redução da calota glacial, antes permanentemente congelada no Círculo Ártico, e intensiicou fenômenos antigos, como furacões no sul dos Estados Unidos. Todas essas alterações têm grande poder de destruição, afetando milhões de pessoas e causando prejuízos de bilhões. Nessa categoria de mudanças climáticas, eventos climáticos extremos – como chuvas intensas, vendavais e furacões, marés meteorológicas e grandes secas – representam as forças com maior poder de destruição. À intensidade desses eventos soma-se a diiculdade de gerenciamento de planos para a adaptação e a atenuação de seus efeitos, devido à impossibilidade de prevê-los com exatidão. O Furacão Catarina, que atingiu a costa brasileira em 2004, foi o primeiro registrado no Atlântico Sul, sendo um exemplo bastante representativo do caso em questão. Os eventos climáticos extremos e sua relação com as mudanças climáticas globais não foram, até agora, totalmente estudados pela comunidade cientíica brasileira. Com o objetivo de motivar novos estudos sobre esse assunto e conscientizar a sociedade sobre os riscos dos eventos climáticos extremos no Brasil, o Lloyd’s e a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) estabeleceram uma parceria que resultou nesta publicação e na realização de um seminário para apresentar seu conteúdo e debatê-lo com os maiores especialistas do país no assunto. Esta publicação está dividida em quatro temas que ajudam a compreender a mudança climática no Brasil: • Mudança climática global e eventos extremos no Brasil, que aborda o modo como a mudança climática afeta a ocorrência de eventos climáticos extremos — como grandes inundações — e os impactos desses eventos sobre a sociedade brasileira. • Risco e adaptação no setor energético brasileiro, que analisa a dependência da geração de eletricidade em usinas hidroelétricas no Brasil e como as mudanças na intensidade e distribuição de chuvas durante o ano podem afetar o equilíbrio entre o fornecimento e a demanda por eletricidade. • Adaptação do setor agrícola brasileiro, que estuda riscos na produção de alimentos e possíveis soluções. • Elevação do nível do mar e adaptação em grandes cidades costeiras do Brasil, que considera como as elevações no nível do mar podem afetar a população brasileira e as infraestruturas próximas ao litoral do Oceano Atlântico, principal mente as metrópoles Rio de Janeiro e Recife. Esperamos que essa publicação cumpra seu papel de alertar o governo, as empresas e a sociedade civil sobre os grandes desaios gerados pelas mudanças climáticas. Os planos de adaptação serão uma ferramenta fundamental para reduzir os danos à vida e à propriedade causados pelas mudanças na temperatura e nas chuvas, assim como pela intensiicação dos eventos climáticos extremos associados a essas mudanças. Israel Klabin Presidente da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável - FBDS |
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