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08/05/2008

Estudo acusa riscos à saúde em canaviais

Trabalhadores dos canaviais brasileiros são submetidos à exaustão e substâncias tóxicas derivadas da queima, aponta parecer.
Fotos: Corbis.com

Estudiosa dos riscos da contaminação no pantanal, a professora e doutora pelo departamento de Química da UFMS, Sônia Hess, assustou-se quando conheceu a realidade dos trabalhadores dos canaviais pelo Brasil. "É uma vergonha essa constatação. Cortadores de cana estão morrendo como ratos!", ressalta.

A indignação levou a pesquisadora a uma conversa informal com procuradores da Justiça do Trabalho, que solicitaram à Sônia um parecer sobre as condições a que são submetidos trabalhadores de cana-de-açúcar em todo o país. (Em outro documento, Sônia Hess também faz um parecer sobre os trabalhadores de carvoarias, veja a matéria aqui)

Entitulado de "Mortes e Doenças relacionadas à produção do Etanol no Brasil", o parecer alia, pela primeira vez, estudos químicos, médicos e sociológicos. A associação dos três pontos de vista gerou um documento alarmante. Determinado trecho descreve que em 1950 o cortador de cana carregava até 3 toneladas de cana por dia, hoje carregam de 12 a 15 toneladas. A exposição à substâncias tóxicas derivadas da queima da cana resulta em várias doenças respiratórias.

Essa perigosa combinação vem culminando no aumento de mortes súbitas nos canaviais. Somente no interior de São Paulo, foram registrados 19 casos em 2004. Estes dados são críticos, visto que, no Brasil, somente 25% da produção passa pela colheita mecanizada. "Com isso, tem-se a constatação que hoje, o trabalhador das plantações de cana vive menos que durante a escravidão!", adverte Sônia.

O parecer foi encaminhado para o Ministério Público do Trabalho e será submetido à análise.


Faça logo abaixo o download do documento. Clique aqui e veja também outras notícias e estudos já publicados da pesquisadora.

Fernanda Prado Santana
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