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06/09/2010

Estiagem isola quatro municípios do Estado do Amazonas

06 Set 2010 . 04:36 h.

"Comunidades estão sem água potável desde o mês passado."

Manaus - Municípios do Amazonas estão sofrendo com a estiagem que castiga boa parte do território brasileiro. A seca do Rio Solimões e seus afluentes, Purus e Juruá, já deixou quatro municípios do Estado isolados por via fluvial e pelo menos 70 comunidades rurais destes municípios já se encontram sem água potável desde o mês passado.

Os municípios atingidos são Envira, Benjamim Constant, Itamarati e Canutama, todos na região oeste do Amazonas, que possuem estoque de alimentos, água e gasolina para apenas mais 15 dias e já decretaram estado de emergência.

A Defesa Civil estadual, contudo, emitiu um estado de alerta para a seca que atinge severamente, além destes quatro, outros 25 municípios. O governo ainda não iniciou o envio de alimentos e água para as cidades atingidas.

“Nós temos 36 comunidades rurais já completamente isoladas; a água e a comida estão sendo levadas pela prefeitura a pé, pela mata”, explicou a coordenadora da Defesa Civil de Benjamim Constant (a 1.118 quilômetros de Manaus), Gleissimar Castelo Branco.

De acordo com o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Oliveira, ainda é cedo para dizer se essa pode ser uma estiagem igual à de 2005. “A vazante dos rios é expressiva, mas ainda está a pelo menos 6 metros acima do mesmo nível atingido pelos rios no início de setembro daquele ano”, disse.

O prefeito de Itamarati (a 987 quilômetros de Manaus), João Campelo, afirmou que as embarcações de baixo calado não estão parando no porto. “Também sofremos muito com as queimadas”, completou.

Situação semelhante

Outro Estado que sofre com a estiagem é o Mato Grosso, onde a ação do homem aliada a uma seca prolongada ameaçam um dos berçários do Pantanal, a Baía de Chacororé, a 130 quilômetros de Cuiabá.

O volume de água nunca esteve tão baixo. A medição que vem sendo realizada desde 1969 mostra que na pior seca, registrada em novembro de 1973, o nível chegou a 1,33 metro na régua linimétrica. Desde agosto, o volume está em torno de 85 centímetros.

Para o professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Rubem Mauro Palma de Moura, a situação estava prevista desde 1997, quando foi feita a primeira denúncia.

“Naquela época, houve um aprofundamento do canal que liga Chacororé à Baia de Siá Mariana, provocando a seca”, disse o professor da universidade. Em 2000, foi construída uma barragem. A Baia de Chacororé - a terceira em volume de água do País - espalha-se, na seca, por 11 mil hectares.
Mônica Figueiredo




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