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01/09/2010

Estado do Mato Grosso "ganha" 85 novos peixes

Diário de Cuiabá
 Dentre as 85 identificadas, uma espécie já corre risco de extinção. Foto:Geraldo Tavares/DC
Dentre as 85 identificadas, uma espécie já corre risco de extinção. Foto:Geraldo Tavares/DC
A diversidade de peixes de água doce em Mato Grosso foi acrescida esta semana de oitenta e cinco novas espécies. Este foi o resultado de uma pesquisa realizada pela organização Conservação Internacional em parceria com três universidades brasileiras que mapeou de modo inédito a ictiofauna de água doce brasileira, a mais rica do mundo, acrescida agora de 819 espécies. A pesquisa, além de detectar novas espécies em Mato Grosso, constatou pelo menos uma em risco de desaparecer.

As novas espécies foram encontradas em 67 micro-bacias, consideradas áreas-chaves para conservação de peixes raros em Mato Grosso, explica a pesquisadora Taís Pacheco Kasecker. Dessas 67 áreas, 21 foram classificadas como em estado crítico. Das espécies abarcadas por essas áreas, apenas uma foi encontrada em risco, informa a pesquisadora.

O objetivo da pesquisa é fornecer informações sobre uma das faunas menos estudadas no Brasil de modo a possibilitar que o governo busque sua preservação, por meio da criação de unidades de conservação ou outras ações.

“Nosso resultados sugerem que o número de espécies de peixes de água doce ameaçadas no Brasil é pelo menos quatro vezes do que o atualmente indicado”, conclui a pesquisa, referindo-se às listas nacionais e internacionais de peixes em risco de extinção.

Pelo menos metade das 21 micro-bacias foram consideradas em estado crítico devido à ameaça representada pela atividade de hidrelétricas, que consistem no modelo energético predominante para o desenvolvimento em Mato Grosso. Não foram consideradas na pesquisa as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH). No Brasil, 220 espécies foram detectadas em áreas com atividade de hidrelétricas. “É altamente provável que estejam sob alto risco de extinção”, diz a pesquisa.

As bacias no território mato-grossense consideradas pela pesquisa são três, a Amazônica, a do rio Paraguai e a do Tocantins-Araguaia. Os critérios para considerar determinada área como crítica são basicamente três. Segundo Kasecker, o primeiro é levar em conta a vegetação da bacia, no caso, quando for menos de 30% da cobertura original. O segundo critério é a existência de hidrelétricas ou obras em andamento de empreendimento do tipo no local. O terceiro critério é a localização da micro-bacia fora de áreas protegidas, como unidades de conservação e terras indígenas.

Perguntada sobre o Pantanal, a pesquisadora informa que foram analisadas sete áreas-chaves, que abarcam oito novas espécies de peixe encontradas. Entretanto, nenhuma dessas áreas foi classificada como em estado crítico. (RD)




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