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20/08/2010
Eleições 2010: os presidenciáveis e o meio ambienteO ECO
José Serra: "Eu sou ambientalista"
12 Ago 2010, 14:00 Após as entrevistas de Marina Silva e Dilma Rousseff aos jornais Nacional e ao Jornal das Dez da Rede Globo, foi a vez do candidato à presidência José Serra do PSDB. Nessa quarta-feira, o tucano pode evidenciar suas opiniões, metas e planos para sua candidatura. Serra diz olhar para o futuro e concentrar-se em arrumar erros e perpetuar ações benéficas para o país, sem desmerecer ou criticar governos anteriores. O candidato confirmou sua escolha para Vice-Presidente, o deputado Índio da Costa do DEM, seu principal aliado e sobre suas alianças com o PTB. Quando questionado sobre seu posicionamento paradoxal de apoio mútuo ao ambientalismo e ao desenvolvimento agrícola do país, o candidato responde que não possui essa ambiguidade em sua política e não se considera uma pessoa duas caras fazendo políticas polarizadas, além de acreditar em um caminho do meio, que alie as duas questões, de produção e desenvolvimento e meio ambiente. "Eu posso ter vários defeitos políticos, mas não tenho duas caras. Eu costumo dizer que tenho uma cara feia, muitos acham, muitos não acham, mas pelo menos tem uma vantagem, ela é uma só. Eu não faço um discurso lá e um acolá. Eu acredito tanto nessa combinação que eu coloquei na Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo alguém mais afeito à agricultura, um proprietário rural, o Chico Graziano e nós fizemos um trabalho ambiental lá avançadíssimo. E eu dou um exemplo, o problema da queimada de cana, São Paulo estava queimando toda a cana da colheita, 2 milhões e meio de hectares de queimada infectando o meio ambiente todo em todo o interior do Estado. Nós fizemos um acordo com os produtores, um protocolo que está cumprido reduzindo em 1 milhão de hectares”. Esse posicionamento de Serra ainda não lhe dá uma opinião firme e clara sobre suas ações para o meio ambiente brasileiro. Em relação ao Código Florestal, por exemplo, o candidato se coloca contra a discussão da questão em época de eleição, porém afirma que em seu governo o assunto será tratado com rapidez. "A minha posição clara é que não dá para discutir agora, no meio de uma campanha eleitoral, uma loucura, foi um equívoco do governo ter instigado a questão até chegar na época de eleição. É a pior época para negociar. Segundo, o Brasil é um país heterogêneo, não é? E também tem uma heterogeneidade que vai para trás que é a idade das propriedades. Tem gente que a Reserva Legal não era legal e foi consumida há 50 anos. Eu vou chegar lá (na predidência) e em seis meses vou equacionar esse assunto”, explica Serra. E retoma, "Mas eu quero dizer e insisto: eu sou muito ambientalista!" Essa foi a terceira entrevista concedida ao Jornal das Dez que sorteou os candidatos em falas de quinze minutos para os espectadores brasileiros. O próximo entrevistado será Plínio de Arruda, candidato à presidência pelo PSOL. Marina Silva defende sua gestão no Meio Ambiente 11 Ago 2010, 14:18 No dia 10 a candidata à presidência do Brasil pelo PV, Marina Silva, concedeu duas entrevistas à Rede Globo, nas quais defendeu suas idéias e propostas. Tanto no Jornal Nacional quanto no Jornal das Dez, da Globo News, Marina foi questionada quanto à falta de alianças políticas de seus partido, sobre questões de segurança nacional, saúde, educação, estratégias econômicas e a problemática ambiental. Foi questionada se em seu governo os investimento na área de infra-estrutura seriam prejudicados pela demora na liberação de licenças ambientais, problema observado na gestão da candidata no Ministério do Meio Ambiente. Marina afirmou que não existe incompatibilidade entre desenvolvimento e preservação ambiental, mas que são necessários planejamentos e investimentos corretos organizados, e no caso do Ministério, ela não contava com estas condições. "Naquela época o ministério estava todo desestruturado, e eu tinha que fazer concurso, tinha que criar várias secretarias e cordenadorias, só que quando nós começamos a arrumar a casa, aumentaram significativamente as licenças. No governo anterior era uma média de 145 licenças por ano, na minha gestão foram 265 licenças por ano. Agora, uma coisa eu posso dizer, é possível aperfeiçoar o licenciamento", disse. Para a geração de energia propriamente dita, Marina não deixou claro se concorda com a necessidade de investimentos no potencial hidroelétrico brasileiro, porém descartou a idéia de usinas nucleares e diz que prefere apostar em outras formas de geração de energia. "Eu acredito, no meu entendimento, que as usinas nucleares não são necessárias. Nós tínhamos é que pegar esse dinheiro e investir na energia solar, na energia eólica, na energia de biomassa e fazer os investimentos da forma correta para a geração de energia elétrica de hidroeletricidade. Existe um potencial enorme, só precisa ser bem feito”, explica a candidata. Marina defendeu que é preciso encontrar apoio para as políticas de meio ambiente que promovam o encontro entre desenvolver e proteger as riquezas naturais, para que não continuem problemas como apagões e mal planejamento. Ela disse que suas preocupações com a biodiversidade, com a terra e com a água não divergem, como suposto, de muitos setores industriais da sociedade e, quando generalizam esse enfrentamento entre sua política e o desenvolvimento econômico do agronegócio, estão fazendo uma suposição errônea. "Eu digo que sou a solução para o agronegócio porque eu sei como fazer com que aumente a produção sem destruir floresta, sem destruir biodiversidade, e é aumentando produção por ganho de produtividade. Hoje nós já temos a tecnologia que nos permite dobrar nossa produção sem precisar derrubar a floresta”, afirmou a candidata. Link para a entrevista de Marina Silva no Jornal Nacional Dilma e o Código Florestal 10 Ago 2010, 15:30 Ontem a candidata Dilma Rousseff foi a primeira dos três presidenciáveis a conceder uma entrevista aos jornalistas André Trigueiro e Carlos Monforte do Jornal da Dez da Globo News. Dilma pôde expressar suas opiniões sobre diversos temas, como problemas logísticos e perdas de receita federal, má infraestrutura de aeroportos e do transporte aéreo brasileiro, indicação de cargos políticos, meio ambiente e direitos humanos. Quando questionada quanto aos planos e metas do Brasil em relação à redução do desmatamento e de emissões de gases estufa, compromisso assumido quando chefiava a delegação Brasileira na COP-15, em novembro de 2009 em Copenhagen, e sobre a possibilidade de estes não serem cumpridos devido à aprovação de um novo Código Florestal brasileiro proposto por Aldo Rebelo, ela respondeu com cautela. Disse que o código ainda não foi aprovado e que, provavelmente, não o será antes das eleições. Mas em relação à revisão do código, afirmou que não acredita em "conivência" com o desmatamento ou com desmatadores. "Eu não concordo em tratar da questão tão grave do código florestal no momento eleitoral. Por quê? Porque se desencadeiam paixões de lado a lado. Agora eu dou minha posição sobre isso, eu não concordo de maneira nenhuma com nenhum procedimento que signifique diminuir essa luta que nós estamos tendo para reduzir o desmatamento no Brasil", declarou a ex-ministra da Casa Civil. Eis aqui o principal trecho sobre as questões ambientais tratadas pela candidata. "Eu não acredito na aprovação do código antes da eleição. Eu acho que no pós eleição diminuem as paixões. Eu não concordo com conivência com o desmatamento e nem com leniência e flexibilidade com os desmatadores. Acho que nós conseguimos uma meta fantástica com Copenhagen e a minha presença em Copenhagen era uma forma do presidente Lula mostrar que o segundo cargo mais importante do governo não era nem o Itamarati e nem o Ministério do Meio Ambiente que estavam presentes na delegação, mas era a chefia da Casa Civil que assumia o compromisso de reduzir em 80% o desmatamento da Amazônia, em 40% do Cerrado e assumia metas claras que ninguém estava assumindo ali. Nós assumimos e dissemos assim que seja o que seja que dê (sic) nas negociações internacionais, nós vamos cumprir essas metas na área de agricultura e de energia.” As próximas entrevistas com os outros dois candidatos serão no dia 10, no qual o Jornal das Dez receberá Marina Silva, candidata do PV e no dia 11 com o candidato do PSDB, José Serra. Assista à entrevista: Dilma no Jornal das Dez |
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