|
Você está em:
| ||
|
22/10/2008
Crise financeira atrasa mecanizaçãoGazeta de RibeirãoColheita de cana-de-açúcar em Nova Alvorada do Sul-MS. Crise financeira mundial pode atrasar mecanização nos canaviais. A falta de crédito causada pela crise financeira internacional pode prejudicar a mecanização nas lavouras de cana-de-açúcar, segundo a Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul (Orplana). Para Ismael Perina, presidente da Orplana, a produção nos canaviais também será afetada. De acordo com ele, se o freio nos investimentos continuar, poderá ser difícil cumprir o Protocolo Agro Ambiental do Setor Sucroalcooleiro Paulista e antecipar o fim da queima da palha de cana. O Protocolo, aderido pela Orplana em setembro, prevê antecipar o fim da queima para o ano de 2014, em área mecanizáveis, e em 2017, em áreas não mecanizáveis. “Com o problema sério que existe hoje, sem rentabilidade e sem crédito, o produtor tem prejuízo em relação aos novos investimentos. E se esse quadro persistir, provavelmente teremos problemas para fazer a mecanização”, disse. Segundo o presidente, ainda é cedo para afirmar com certeza se haverá, e de quanto será o atraso na mecanização, mas os riscos são grandes. Em relação à quantidade de produção, o risco já é considerado real. “Existe um esforço grande para antecipar o fim da queima, mas sem recursos não é possível. Vamos esperar para ver se esse quadro permanece, pois o momento econômico ainda está incerto. Mas, certamente teremos retração na produção para a próxima safra, pois os custos estão altos.” O presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroalcooleiro e Energético (Ceise-BR), Mário Garrefa, também acredita que o setor será prejudicado pela crise. Segundo ele, algumas empresas já reduziram em 30% sua produção por causa da redução no investimento internacional. “A produção e a mecanização poderão ser prejudicadas pois as indústrias também dependem do financiamento, e os impactos já estão sendo sentidos”, disse. A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) ainda não se posicionou em relação aos efeitos da crise internacional no setor. Déficit da cana- Preço de venda está defasado R$ 57 Valor gasto pelos produtores da região para a produção de uma tonelada de cana-de-açúcar, segundo a Orplana Crise é sentida há dois anos A crise internacional já chegou na lavoura do produtor Fernando de Freitas Tavares. Ele cultiva cerca de 2,5 mil hectares de cana-de-açúcar na fazenda Nova Esperança há 21 anos na região de Ribeirão Preto, e hoje passa por uma das crises mais fortes do setor. “É uma crise de preços que já vinha sendo sentida há uns dois anos, e que agora foi agravada com a turbulência internacional. O produtor está descapitalizado, sem recursos e sofrendo bastante”, disse. Para o economista Sérgio Sakurai da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão (FEARP-USP), a falta de um canal de crédito afeta a economia como um todo, mas o setor sucroalcooleiro será um dos mais prejudicados na região. “Além da questão do crédito para a produção, teremos também a queda internacional no consumo”, disse. Segundo Sakurai, os piores efeitos ainda estão por vir. “Ainda é cedo para falar o tamanho do impacto, pois a situação está obscura, mas eles devem vir a partir do ano que vem.” | ||