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08/10/2007

Chorume do lixão ameaça o Aquífero Guarani

Fonte: Correio do Estado 07/10/2007

Além de contaminar o Córrego Formiga e o Rio Anhanduí, o chorume gerado pelo lixão de Campo Grande é ameaça ao Aquífero Guarani, o maior reservatório de água doce do mundo.

A constatação é da perícia do Setor Técnico-Científico da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul. O inquérito sobre o impacto ambiental causado pelos resíduos sólidos da Capital tramita na superintendência desde o ano 2000, segundo a assessoria de imprensa da instituição.

A maior ameaça ao Aquífero Guarani está em oito poços de monitoramento de água subterrânea, que foram abertos entre 28 de dezembro de 1999 e 4 de janeiro de 2000. Estes furos foram abandonados, conforme a constatação feita pelos peritos federais, o mestre em geociências Júlio Coelho Ferreira de Souza e o engenheiro agrônomo Silvio César Paulon. A revelação consta de artigo publicado pela revista Perícia Federal número 25. Durante quatro semanas, o Correio do Estado tentou falar com os peritos ou os delegados envolvidos no inquérito, mas, segundo a assessoria de comunicação da Polícia Federal, eles estiveram viajando neste período.

Conforme os peritos, o chorume (fase líquida da massa de lixo aterrada) percorre aproximadamente 870 metros até cair no Rio Anhanduí. Este líquido fétido ainda passa pela ferrovia e em frente ao presídio federal, onde existem presidiários notáveis, como os megatraficantes Juan Carlos Ramírez Abadía e Fernandinho Beira-Mar.

A perícia concluiu que o Rio Anhanduí é o principal receptor do chorume produzido pelo lixão. "O contexto geológico da região faz com que o local seja susceptível à contaminação de substrato rochoso e do lençol freático pela percolação de chorume", destaca.

"A ocorrência de fraturas no substrato rochoso pode permitir a contaminação das rochas sedimentares subjacentes que comportam o Aquífero Guarani", alertam os peritos. Estas fraturas são os poços abertos para monitoramento no início desta década. E a contaminação ocorre por alta concentração de nitrogênio amoniacal e metais pesados, como Fe, Pb, Cu e Cd. 

Edivaldo Bitencourt




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