Em 2011 devido às fortes chuvas que ocorreram no Pantanal – de forma irregular, foi registrada uma das maiores cheias na planície nos últimos anos, alterando também o fenômeno natural conhecido como decoada, que é quando as matérias orgânicas, proveniente de plantas aquáticas e também terrestres entram em decomposição.
De acordo com a pesquisadora na área de limnologia da Embrapa Pantanal, Débora Calheiros, este fenômeno geralmente ocorre até os meses de maio e junho nas proximidades de Corumbá (MS). Porém, em 2011 houve indícios de decoada na região até o mês de outubro.
Esta situação atípica se deve ao fato de que normalmente o período de grande cheia na região de Corumbá, é registrado entre os meses de maio a julho, que é quando as águas vindas das cabeceiras, localizadas no Estado do Mato Grosso descem e chegam ao município, porém, no ano passado, as sub-bacias do Rio Negro, Miranda e Aquidauana apresentaram níveis mais elevados, fazendo com que houvesse outro período de cheia entre os meses de janeiro a março.
“Estas duas ondas de grandes cheias e o processo sinérgico entre elas em 2011, fez com que os indícios de decoada fossem encontrados em um período maior na região de Corumbá”, explicou a pesquisadora.
Débora explica também, que essa alteração afetou negativamente a vida nas comunidades ribeirinhas do Pantanal, já que este fenômeno restringe o acesso à água de qualidade e também a pesca de subsistência, aumentando assim, a dificuldade de sobrevivência destas famílias.
A Embrapa Pantanal vem acompanhando o fenômeno natural de deterioração da qualidade da água dos rios e lagoas marginais, denominado popularmente como “decoada”, há pelo menos 15 anos, mas com estudos mais sistemáticos a partir de 1994.
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