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16/09/2003
Carta sobre os impactos da atual navegação no rio
Brasília, 08 de setembro de 2003.
Exmo Sr. Luis Inácio Lula da Silva Nós, participantes da II Expedição Rio Paraguai, Suas Águas, Sua Gente, vimos por meio desta partilhar com V. Sª, nossa perplexidade com o que testemunhamos nos oito dias em que tivemos o privilégio de estar em contato direto com a natureza e a gente do Pantanal brasileiro. Constatamos inúmeros trechos do rio onde são visíveis os danos causados pelo atual transporte de carga, tais como: desbarrancamento e compactação das margens, provocados por choques com as barcaças e a presença de espécies exóticas altamente agressivas às espécies nativas. Para nossa perplexidade, as quase centenas de trechos onde foram detectados os maiores danos, estão localizadas no entorno das unidades de conservação: Estação Ecológica Taiamã, Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, Reservas Particulares do Patrimônio Natural Acurizal, Penha e Dorochê, áreas que cobrem aproximadamente 250 mil hectares. Devido ao trabalho dos funcionários do IBAMA e proprietários privados, estas áreas de uso público, criadas e reconhecidas pelo governo brasileiro para a conservação do Pantanal, têm mantido sua integridade. Nelas foi avistada a maior quantidade de vida silvestre em todo o percurso da viagem, evidenciando-se a vocação turística da região. No entanto, a natureza conservada nestas áreas está sendo irresponsável e irreversivelmente impactada. Desta forma solicitamos a Vossa Excelência, as seguintes providências urgentes: 1. Fiscalização constante, por parte da Marinha e do Ministério do Transporte, do tráfego de barcaças pelo rio Paraguai, especialmente nos trechos dos entornos das unidades de conservação citadas. Aproveitamos esta oportunidade para expressar nosso desejo de nos colocar como interlocutores nas questões relativas ao modelo de desenvolvimento proposto para a Bacia do Alto Paraguai. Atenciosamente, Rede Pantanal de ONGs e Movimentos Sociais | ||