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11/06/2008

Associação de Pescadores ganha direito de venda

Pescador de isca mostra o peixe cascudo (clique na foto para ampliá-la). Associação de pescadores de iscas vivas de Miranda agora poderá vender diretamente aos turistas.
Foto: Jean Fernandes

Prestes a fazer um ano de sua criação (em 13 de junho), a Associação de Pescadores de Iscas de Miranda, em Mato Grosso do Sul, ganhou o direito de venda do produto da pesca: iscas vivas.

Essa medida irá beneficiar cerca de 35 famílias que vivem da pesca de iscas vivas, que, como resultado, terão suas rendas ampliadas. “Isso tira a presença do atravessador. Então todo o ganho que ia para o atravessador agora será revertido para o pescador de iscas”, explica Jean Fernandes, técnico da Ecoa.

Antes do direito de venda, os isqueiros, como são chamados os pescadores, coletavam iscas vivas na localidade do Morro do Azeite, a 90 quilômetros do município de Miranda. O produto é transportado para a Associação de onde era vendido para atravessadores que revendiam para turistas da região.

“Vendendo a isca direto para o turista a gente espera aumentar nossa renda em até 50%”, comenta Liezé Francisco Xavier, presidente da Associação de Pescadores de Iscas. Liezé lembra, porém, que para chegar lá, ainda faltam algumas melhorias, como a construção de um retorno na BR 262, que facilitará o acesso à associação, e a aquisição de um automóvel para transporte de pescado do Morro do Azeite à Miranda, os pescadores têm de pagar frete pelo transporte.

Desde o ano de 2000, a Ecoa desenvolve junto às comunidades isqueiras de Miranda e Porto da Manga o projeto de melhorias no manejo de coleta de iscas vivas. Com a implantação da metodologia de Desenvolvimento Integral das Comunidades, um dos objetivos almejados é a melhoria de renda da população. No caso das comunidades isqueiras, a autonomia econômica é fator essencial para esse objetivo que não seria possível sem a união dos pescadores através da Associação.

“Devido aos projetos desenvolvidos com a comunidade, os pescadores já tem consciência ecológica. Agora, podendo vender e gerenciar o produto da pesca, eles verão os benefícios de todo esse trabalho”, diz Jean Fernandes.

Para adquirir o direito de venda das iscas vivas a Associação efetuou as regularizações necessárias junto aos órgãos competentes. Foram retirados o alvará de licença, junto à prefeitura de Miranda, o certificado de comércio com a Secretária de Pesca e a autorização ambiental com o Governo do Estado (em andamento).

Atualmente a Associação coleta e vende caranguejos, cascudos e jejuns. A isca mais procurada, a tuvira, ainda não está em período de coleta, o que ocorrerá somente em agosto, período de seca.

Conheça a trajetória da Ecoa e a Associação de Pescadores de Iscas aqui.

Fernanda Prado Santana




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