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07/04/2003
Artigo - Transgênico: A última moda
Os últimos fatos e as últimas declarações no cenário político não deixam dúvidas com relação à uma constatação que já tínhamos desde a eleição presidencial de 1998: o governo do PT veio para concretizar as reformas políticas, sociais e econômicas que deverão alavancar o crescimento econômico do Brasil nos próximos anos.
Todos os passos e discursos iniciais desse governo indicam que o caminho para o Brasil se safar da atual e das futuras crises na estrutura do nosso sistema econômico é abraçar e não largar o receituário defendido pelas elites nacionais e regionais, pelas multinacionais e pelos organismos multilaterais de financiamento. Em outros tempos, tempos de Collor, Itamar Franco e FHC, esses representantes do ideário neo-liberal defendiam que o estado deveria ser mínimo, intervenção do estado é fora de moda; nos novos tempos eles defendem uma certa participação do estado, desde que em concordância e em defesa dos objetivos clássicos do liberalismo econômico: deixe o mercado agir como ele sabe e assim todos ganharão. É duro aceitar tal constatação, mas essa é a verdade. O caso dos transgênicos é emblemático de como o governo do PT se articula quando está em discussão um tema que pode afetar não só um setor estratégico da economia como a vida e a saúde de toda uma população. Durante toda a sua trajetória, o partido dos trabalhadores trabalhou em cima de uma visão crítica dos transgênicos, defendendo critérios sérios e rigorosos para que esses produtos pudessem ser liberados. No recente caso da liberação da soja transgênica do Rio Grande do Sul, a única justificativa plausível é que muitos agricultores iriam perder, caso a soja não fosse vendida. Para nós, é como se os representantes do atual governo dissessem, na maior cara-de-pau, “a porteira estava aberta mesmo, nós só abrimos ela mais um pouco...”. Os representantes do atual governo asseguram que a medida provisória assinada pelo presidente Lula é específica para o caso da soja transgênica do Rio Grande do Sul e que, a partir do ano que vem, prevalecerá as normas de biossegurança. Contudo, para os movimentos sociais essa MP, abre um precedente perigoso na discussão sobre transgênicos e representa uma vitória expressiva da Monsanto, empresa americana de biotecnologia, e dos agricultores ligados a FARSUL (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul). Uma das parcelas importantes dos movimentos sociais, A FETRAF/Sul (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul) publicou uma nota em que são detalhados e ressaltados três pontos: 1- O cultivo de transgênicos não se constitui numa alternativa para o fortalecimento da agricultura familiar e para o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira em seu conjunto; 2- A comercialização da soja transgênica no mercado interno abre um precedente que pode significar por parte do poder público a perda do controle sobre o cultivo e criação, no Brasil, dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM`s), começando pela soja transgênica; 3- É necessário que haja por parte dos Governos Federal e Estaduais a proteção e a garantia dos direitos dos agricultores que respeitaram a Lei e plantaram soja convencional. Na verdade, o governo federal já decidiu, de maneira sutil, que não pode abrir mão dos transgênicos, em razão dos mercados, que estão à disposição, e das pesquisas em biotecnologia que movimentam milhões de dólares; caso abrissem, na sua ótica, perderiam espaço para Estados Unidos e Argentina, grandes produtores de soja transgênica. Também deve soar interessante, aos ouvidos do atual governo, a idéia de que transgênicos servem para o programa “Fome Zero”. Observando dessa forma, é como se estivéssemos andando sozinhos, sem termos aqueles companheiros de antes nos acompanhando, pois agora andam em outras companhias. Companhias de bilhões de dólares. | ||