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18/04/2005

Ambientalista envia carta ao presidente da Bunge

Sr. Presidente da Bunge Alimentos no Brasil,

Vivemos no Piauí sob a mira constante da Bunge Alimentos porque não concordamos como está se dando o processo de ocupação do cerrado no Piauí, para a monocultura da soja, a matéria prima básica para a empresa.

A última investida da Bunge foi ajuizar uma ação de “difamação” porque em panfleto e no periódico (Correio Aguapé) da Fundação Águas – FUNAGAUS, fizemos as seguintes afirmações:

1- A Bunge não paga imposto no Piauí;
2- A Bunge utiliza lenha nativa do cerrado como matriz energética;
3- A Bunge não pagou a compensação ambiental;
4- A Bunge financiou campanhas políticas no Piauí;
 
Tudo isso é VERDADE inquestionável. Portanto acreditamos na premissa de que o processo foi movido com a intenção de intimidar o ambientalista, que é Presidente da Fundação Águas.

Numa situação de desconforto em decorrência de ampla campanha nacional e internacional de solidariedade ao ambientalista e de repúdio a Bunge, os representes da empresa através de seus advogados propuseram uma conciliação para que o caso não fosse à frente.

NÃO FOI O AMBIENTALISTA QUEM PROPOS CONCILIAÇÃO. FOI A BUNGE.

Não representa atitude ética por parte da empresa e dos seus representantes depois de consumado o processo de conciliação, divulgar nos meios de comunicação que o ambientalista foi condenado, pois a VERDADE do fato não é esta. Acredito que os representantes da empresa, os advogados e o senhor têm consciência do que seja uma conciliação.

Mediante o exposto gostaria de sugerir aos representantes da empresa que deram a versão dos fatos (da minha condenação por ter “difamado” a Bunge) que também tivessem a integridade de reparar a notícia que foi veiculada nos meios de comunicação do Piauí. Posso até está fazendo uma sugestão muito grande, mas não pense que a integridade moral da Bunge é maior que a de um ambientalista. O mínimo que deve ser feito é ter a VERDADE como fundamento para a reparação da mentira e, porque é sempre tarde para se reparar o erro. 

No nosso ponto de vista o processo de ocupação do Cerrado no Piauí está se dando de forma insustentável, o meio ambiente está sendo liquidado, o Estado tem prejuízos financeiros e as questões sociais se agravam. Da defesa desta situação nós não abriremos mão.
 
Atenciosamente,

Judson Barros – Presidente da Fundação Águas - FUNAGUAS.





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