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09/07/2009

Afetados pela mineração do Pará acusam Vale por danos socioambientais

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Mina de exploração de minério de ferro de Carajás, no Pará
Mina de exploração de minério de ferro de Carajás, no Pará
Em documento que resultou de um encontro de Afetados pela Mineração no Sudeste Paraense, a mineradora Vale do Rio Doce é acusada por danos ao meio ambiente, exploração de trabalho e usurpação da posse de terras pertencentes a pequenos produtores e mineradores que vivem na região da estrada de ferro Carajás.

As acusações feitas pelos participantes do evento, realizado entre os dias 03 e 05 de julho, foram reunidas pela campanha Justiça nos Trilhos, que integrou a iniciativa e produziu um documento, fazendo um balanço das discussões.

A carta defende a articulação local para a defesa de um projeto de desenvolvimento que garanta a vida e o respeito às pessoas e ao meio ambiente na região de Parauapebas (PA), município que é ponto de partida para os 892 Km da Estrada de Ferro Carajás.

O texto também responsabiliza a empresa Vale do Rio Doce por oferecer condições de trabalho infra-humanas a seus empregados e por ter desalojado famílias que moravam na região de Cristalino há mais de vinte anos para explorar minérios.  De acordo com os afetados pela mineração, para a exploração das minas de Salobo, em Marabá, a mineradora derrubou trezentas castanheiras de uma Floresta Nacional (Flona), da qual depende o povo indígena Xikrin.

Já em Curionópolis, a Vale teria mudado a posição de um marco geodético para englobar em seus projetos uma área pertencente a garimpeiros. De acordo com o documento, cerca de 300mil pessoas desembarcam do trem da empresa na região, a cada ano, em busca de trabalho.  "Já existem em Parauapebas 40mil famílias sem casa, alojadas em ocupações, morros, áreas de preservação permanente e em outros locais impróprios para residir", diz a carta.

Os participantes do encontro prevêem que Paragominas ainda poderá chegar a ter um milhão e meio de habitantes, mas alertam que, desde já, faltam saneamento básico e abastecimento de água à população da cidade.

Eles também informam que a Vale oferece hoje 26mil vagas de trabalho, das quais somente quatro mil são para empregos diretos.  "Terceirizar é a solução para evitar à Companhia o peso dos processos trabalhistas (hoje mais de 7000 só no Município de Parauapebas!)", diz, em carta, a campanha Justiça nos Trilhos.

Evento


O encontro dos afetados por mineração no sudoeste do Pará aconteceu em Parauapebas, e reuniu vários grupos e movimentos do extremo da Estrada de Ferro de Carajás, que buscam articulação e mobilização contra as práticas da Vale, que estaria "construindo e desviando estradas, isolando povoados e famílias e cobiçando a terra dos pequenos agricultores" na região.

Áreas afetadas


Parauapebas está no coração dos investimentos da Vale: o ferro de Carajás, o níquel do Vermelho, o cobre do Projeto 118 e as minas de Sossego (Canaã), Cristalino, Serra Pelada e Serra Leste (Curionópolis), Salobo (Marabá) e o projeto da Serra Sul.




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