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05/05/2003

A soja no Brasil Central - Expansão agrícola no Cerrado brasileiro

Material produzido pelo IFAS - Instituto de Formação e Assessoria Sindical Rural
O Cerrado Brasileiro foi, a partir dos anos 70 e, continua sendo até hoje, a grande fronteira agrícola nacional. É o espaço em que mais cresce a produção de grãos e é visto como o grande potencial agropecuário do país. Governo e empresários têm investido muito nas terras do Cerrado. A produção de soja e milho vem crescendo a cada ano e os ganhos de produtividade encontram-se acima da média nacional. Grandes projetos federais são implementados para melhorar a infra-estrutura e viabilizar o escoamento dos grãos: Corredores de exportação (Centro norte, Noroeste, Nordeste e Centro-Leste), Hidrovias Araguaia-Tocantins e Paraguai-Paraná; programas de desenvolvimento do cerrado (PRODECER) são alguns dos exemplos da política para o Cerrado.

O Cerrado está presente em vários estados brasileiros. Neste texto daremos ênfase aos estados onde os investimentos na produção de soja são mais expressivos: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás (Região Centro-Oeste), Tocantins (Região Norte), Maranhão, Piauí e Bahia (Região Nordeste). Este espaço será denominado de Brasil Central.

Este texto preliminar visa dar uma pequena visão sobre a produção a soja no Brasil Central, os investimentos que estão sendo canalizados para essa região e as novas possibilidades que estão sendo descobertas pelos produtores: a produção de soja orgânica.

A expansão da soja

O interesse do Governo brasileiro pela expansão na produção da soja fez com que a cultura ganhasse cada vez mais incentivos oficiais. Até 1975, toda a produção brasileira de soja era realizada com cultivares e técnicas importadas dos Estados Unidos. Assim, a soja só produzia bem, em escala comercial, nos estados do Sul, onde as cultivares americanas encontravam condições semelhantes a seu país de origem. Para atender às exigências de produção da soja foi criado, em 1975, o Centro Nacional de Pesquisa de Soja, como uma das unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Sua principal incumbência era conquistar a independência tecnológica para a produção brasileira, que até então estava concentrada nos estados do sul do País. A crescente demanda dos mercados interno e externo deram estabilidade aos preços do produto no mercado, o que incentivou o aumento de área. Pesquisadores da Embrapa Soja criaram a primeira cultivar brasileira, o que permitiu que a soja produzisse em regiões tropicais (Cerrados), onde antes a planta não se desenvolvia.

A partir de então, o Cerrado, até então visto como improdutivo para a agricultura, chama atenção de agricultores do Brasil, em especial do sul. Inicia-se uma grande migração para as áreas do Cerrado. Hoje, o Cerrado produz cerca de 50% de toda produção nacional de soja, alcançando médias de rendimentos superiores à dos estados do sul e à nacional.

Soja - Produção e Perspectivas

Produção Mundial
Dados da USDA mostram que a produção mundial de soja em 1998 foi de 154 milhões de toneladas produzidas numa área de 69 milhões de hectares. Nesse mesmo ano o consumo foi de 149 milhões de toneladas. EUA, Brasil, Argentina, China e Índia produzem 90% da soja do mundo. Os EUA são os maiores produtores do grão, produzindo mais de 50% do total. O Brasil é o segundo produtor de soja do mundo com cerca de 20% da produção mundial.

Considerando que o aumento da produção e de consumo nos últimos 10 anos foi de 48% e 45% respectivamente, e mantendo a mesma tendência de crescimento, pode-se imaginar que a produção nos próximos 30 anos poderá dobrar.. Para que isto ocorra, há duas possibilidades. Uma refere-se ao aumento de área plantada. Neste caso, o Brasil poderá ser um dos principais países a "contribuir", especialmente na região Central do país. Outra possibilidade é o aumento da produtividade. Também neste caso o Brasil Central é uma das região de maior potencial. Nos últimos anos é nesse espaço que são verificados os maiores ganhos de rendimento do produto. Em suma, caso as políticas mundiais continuem incentivando a produção de soja, o Brasil Central será uma região muito visada e de maiores possibilidades para isso.

Exportação Soja

O Brasil é responsável por cerca de 22% do volume total exportado, sendo o segundo maior exportador de soja do mundo. Em média, 68% do total produzido no país é exportado, principalmente para União européia, EUA e Japão. O volume total exportado chega 18 milhões e de acordo com projeções poderá chegar a 20 milhões em 2005.

Brasil - Projeção da exportação de soja (1.000 t

Ano

Exportação projetada

2000

18.077

2001

18.603

2002

19.350

2003

19.626

2004

20.182

2005

20.708

A produção de soja no Brasil

De acordo com as projeções realizadas , verifica-se que para o ano 2010 o Brasil deverá estar produzindo cerca de 57 milhões de toneladas de soja. A manutenção da demanda de soja, como é uma demanda derivada da demanda de carnes, principalmente de aves e suínos, depende bastante do desenvolvimento econômico e da distribuição de renda de todos os países do mundo.

O Brasil Central produz cerca de 50% da produção nacional. Mantendo essa mesma proporção o Brasil Central terá que produzir cerca 28,5 milhões de toneladas de soja. Ou seja, terá que aumentar sua produção, que hoje é de 18,0 milhões de toneladas, em 63%, nos próximos 10 anos.

Brasil - Estimativa da demanda domestica mais internacional de soja até o ano 2010 (1000 ton)

ano

produção

2000

36.737,0

2001

39.263,6

2002

40.239,8

2003

41.185,7

2004

43.807,0

2005

44.817,0

2006

47.505,4

2007

50.277,3

2008

51.283,9

2009

54.164,0

2010

57.074,9

 

Os estados que mais produzem atualmente são o Paraná, o Mato Grosso e o Rio Grande do Sul. A tendência de produção de soja no Brasil é de se concentrar no Centro-Oeste, com produções significativas no Nordeste (Maranhão, Piauí, Bahia) e Norte (Tocantins). A produção da Região Sul tende a manter ou mesmo diminuir a área, embora a produção total dessa região possa aumentar com o aumento do rendimento.

Produção de soja no Brasil Central

A Região Central do Brasil é a que mais tem apresentado aumentos da produção de soja.

A área colhida de soja Brasil Central cresceu no período compreendido entre os anos 1996-2001, em torno de 57%, um percentual bem acima do crescimento médio brasileiro, que ficou em torno de 33%. Em relação à produção, verifica-se também um grande crescimento, em torno de 86%, no mesmo período. Atualmente esta região é responsável por mais de 50% da produção nacional, concentrando-se nos estados do Centro-Oeste brasileiro.

Como se pode- observar nas tabelas abaixo, no período compreendido entre 1996 e 2002, a produção cresceu significativamente em todos os estados do Brasil Central, sendo que Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia e Goiás tiveram aumentos de 100% até mais de 600%. O Estado que apresentou o menor aumento foi o Mato Grosso do Sul. Esses dados mostram o caminho da soja, avançando na direção norte. O aumento da área acompanhou a mesma tendência do aumento da produção.

Ainda, analisando as tabelas abaixo, verifica-se que houve, neste mesmo período, um crescimento importante da produtividade em todos os estados. Observa-se que os estados do Centro-Oeste apresentam rendimentos superiores à média nacional em todos os anos. A única exceção é o Mato Grosso do Sul (1998 e 2000). Também é possível verificar taxas elevadas no Mato Grosso, estado que atinge os maiores índices de produtividade.

Nas últimas safras (1996 a 2001), a média de rendimento no Brasil Central foi sempre superior à média nacional. O destaque se dá para o Mato Grosso, que vem alcançando rendimentos elevados (mais de 3000kg/há) e apresentando uma elevação a cada ano.

ÁREA COLHIDA DE SOJA- 1996-2001

BRASIL CENTRAL

estado

1996

1997

1998

1999

2000

2001*

1996/2001

 

%

TOCANTINS

7.019

26.308

56.822

46.256

45.544

45.253

544,72

MARANHÃO

63.652

109.725

146.345

166.916

178.416

209.813

229,63

PIAUÍ

9.585

18.780

27.152

32.217

40.004

62.664

553,77

BAHIA

433.263

456.550

553.700

580.000

628.356

690.000

59,26

MATO GROSSO DO SUL

831.654

885.526

1.108.974

1.073.760

1.099.359

1.052.646

26,57

MATO GROSSO

1.956.148

2.192.514

2.643.389

2.635.010





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