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Serra do Amolar

O Pantanal é a maior área úmida continental de água doce do planeta. Ali, o rio Paraguai e seus afluentes, entre novembro e março, transbordam suas águas para levar nutrientes à imensa planície alagável do Brasil, Bolívia e Paraguai, de cerca de 210 mil km² (140 mil km² no Brasil e 70 mil km² na Bolívia e Paraguai).

O Pantanal também funciona como um corredor de conexão entre Bacia Amazônica e Bacia do Prata, com formações do Chaco, Cerrado, Mata Atlântica, Bosque Seco Chiquitano, Amazônia e relictos de Caatinga, conferindo-lhe valor biológico inestimável. O ciclo hidrológico e a dinâmica (cheias e secas) são fundamentais para garantir a biodiversidade e manter o equilíbrio ecológico de toda a região.

É com a alternância de cheias e secas (pulso de inundação) que o Pantanal atrai espécies animais e vegetais de ambos os períodos. O clima do Pantanal, apesar das inundações, é semi-árido, comparável ao da Caatinga nordestina. Suas águas têm origem principalmente nas cabeceiras dos rios, onde as chuvas são mais intensas, especialmente ao Norte, nas nascentes do rio Paraguai. Lá, nas épocas chuvosas, as águas transbordam os leitos dos rios e a inundação desce lentamente rumo ao Sul.
 
A relação mantida no Pantanal entre as águas e as formações rochosas resulta num ambiente único no mundo, santuário de reprodução e refúgio da fauna, reserva de alimentos, água, rico em biodiversidade e diversidade cultural.

O Maciço e a Serra do Amolar

Uma das mais belas paisagens pantaneiras é a Serra do Amolar: formação rochosa localizada na fronteira do Brasil com a Bolívia, entre Cáceres (MT) e Corumbá (MS). É a maior em altitude e extensão (80 km). No entorno da Serra do Amolar estão, no Brasil, o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense e três Reservas Particulares do Patrimônio Natural - RPPNs. Na Bolívia, existem o Parque Nacional de Otuquis e a Área Natural de Manejo Integrado San Matías.

A Serra, considerada como uma área prioritária para conservação, faz parte do Maciço do Amolar que inclui também a Ilha Ínsua e as morrarias Novos Dourados, Santa Tereza, Castelo e outras. O Maciço regula a umidade local, beneficiando a vida de suas florestas que servem de abrigo para animais que fogem das águas durante a cheia pantaneira.

Na região, antes da chegada dos colonizadores europeus em 1524, ao longo dos rios, viveram os povos indígenas das etnias Guató, Bororo, Chamacoco, Kadiwéu e Terena. Dentre as etnias que habitaram o Pantanal desde há 8 mil anos os Guató são hoje os últimos remanescentes dos povos canoeiros, vivendo na Ilha Ínsua e na periferia de Corumbá.

Já no fim do século XIX e início do século XX, o rio Paraguai se destacou como importante via de navegação comercial no mundo, interligando as cidades pantaneiras à Bacia do Prata, e a cidades portuárias da Europa, o que trouxe crescimento econômico significativo para Corumbá. Nesta época, dezenas de famílias da Vila do Amolar ajudavam no desenvolvimento local produzindo rapadura, farinha de mandioca e caçando animais silvestres para comercialização. Na década de 1960, com mudanças na legislação, a caça e comercialização destes animais foram proibidas.

Ecoa e Serra do Amolar

As comunidades pantaneiras da região da Serra do Amolar adaptaram-se ao ciclo natural das águas e até hoje retiram do ambiente o seu sustento, sem comprometer os recursos naturais de forma permanente. Apesar disso, ainda falta atendimento e acesso destas populações aos direitos básicos do cidadão como saúde, transporte e assistência social.

A exclusão social e a ausência de ações para a melhoria da vida dos povos pantaneiros ainda é uma realidade. O êxodo rural provocado pela falta de perspectivas econômicas e de infra-estrutura tem reduzido o nível da qualidade de vida das comunidades da região, especialmente na Serra do Amolar. Mas a ação de algumas instituições está mudando esta realidade.

A Ecoa, através do projeto "Desenvolvimento de atividades e instalação do núcleo de apoio à conservação das florestas da Serra do Amolar - Pantanal Mato-grossense", apoiado pela IUCN NL, está possibilitando uma vida mais digna para as comunidades do Amolar, trazendo educação, saúde, fazendo a interlocução com órgãos de governos e instituições de pesquisa, fortalecendo a participação dos pantaneiros na gestão do Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense, fortalecendo coletivos, além de incentivar o resgate histórico e cultural da região.

A perspectiva da Ecoa não é apenas preservar e conservar a Serra do Amolar e seu entorno, mas também gerar e melhorar a qualidade de vida das populações pantaneiras locais, os verdadeiros guardiões do Pantanal. Se antes as comunidades estavam excluídas ou esquecidas de programas de governos e sem acesso aos direitos básicos do cidadão, com as ações da Ecoa passaram a contar com novos parceiros e ganhar voz junto às políticas públicas e em ações de desenvolvimento integral.

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